Questão nº 8

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT15 2024 (nº 8)

FCC2024Analista Judiciário - Área AdministrativaLíngua Portuguesa
Gabarito: Bver comentário ↓

[Respirar, conhecer]

Quando as pessoas fazem as grandes perguntas da vida, normalmente não têm interesse em saber quando a respiração está penetrando em suas narinas e quando está saindo. E, sim, querem saber coisas como o que acontece depois que se morre. Mas o real enigma da vida não é o que acontece depois que se morre, e sim o que acontece antes de morrer. Se você quer compreender a morte, precisa compreender a vida.

As pessoas perguntam: "Quando eu morrer, simplesmente desapareço por completo? Irei para o céu? Renascerei num novo corpo?" Essas perguntas fundamentam-se na suposição de que existe um eu que perdura do nascimento até a morte, e a pergunta é: "O que acontece com este eu na morte?". Mas o que é que perdura do nascimento até a morte? O corpo muda a cada momento, o cérebro muda a cada momento, a mente muda a cada momento. Quanto mais de perto você se observa, mais óbvio fica que nada perdura, mesmo que de um momento para o momento seguinte. Então o que dá unidade à vida? Se você não sabe qual é a resposta para isso, não compreende a vida, e certamente não compreende a morte. Se e quando você alguma vez descobrir o que dá unidade à vida, a resposta à grande questão da morte também ficará aparente.

As pessoas dizem: "A alma perdura do nascimento até a morte e portanto dá unidade à vida" – mas isso é só uma narrativa. Você alguma vez já observou uma alma? Você é capaz de explorar isso a qualquer momento, não só no momento da morte. Se for capaz de compreender o que acontece com você quando um momento termina e outro começa – você também compreenderá o que vai acontecer com você no momento da morte. Se for realmente capaz de observar a si mesmo na duração de uma única respiração – você vai compreender tudo isso.

(Adaptado de: HARARI, Yuval Noah. 21 lições para o século 21. São Paulo: Companhia das Letras, tradução de Paulo Geiger, 2018, p. 380-381)


As pessoas não têm interesse em saber como se processa sua respiração.

A redação da frase acima permanecerá correta caso se substitua o elemento sublinhado por:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

O conceito-chave é equivalência e transformação de estruturas, que significa substituir uma parte da frase por outra que mantenha o mesmo sentido e a correção gramatical, sem alterar a informação principal. Isso exige atenção à regência verbal, ao significado das palavras e à função sintática dos termos.

  • (A) Incorreta: A expressão "motivo do qual" se refere a "porquê" (causa), e não a "como" (modo). Além disso, a construção "do qual" é inadequada; o correto seria "pelo qual" se a intenção fosse expressar causa.
  • (B) Correta: A expressão "não se preocupam em saber de que modo" mantém o sentido de falta de interesse e "de que modo" é sinônimo de "como" quando se refere à maneira ou forma de algo acontecer, preservando a correção gramatical e o significado original.
  • (C) Incorreta: O advérbio "onde" indica lugar, enquanto "como" indica modo. A substituição altera completamente o sentido da pergunta que as pessoas não têm interesse em saber.
  • (D) Incorreta: Embora "mecanismo" possa estar relacionado a "como" (modo de funcionamento), a construção "o mecanismo do qual se processa" é gramaticalmente incorreta. Seria mais adequado "o mecanismo pelo qual se processa" ou "o mecanismo de processamento". A armadilha aqui é a inadequação do pronome relativo "do qual" para a estrutura.
  • (E) Incorreta: A palavra "razão" se refere a "porquê" (causa), não a "como" (modo). Além disso, a expressão "à cuja causa" é gramaticalmente incorreta e semanticamente redundante, pois "cuja" já indica posse ou relação com "razão", e "causa" reforça a ideia de motivo, distanciando-se do sentido original de modo.

Fonte: FCC TRT15 2024 Analista Judiciário - Área Administrativa (Caderno Tipo 005). Reproduzida para fins de estudo.

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