Questão nº 4

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT15 2024 (nº 4)

FCC2024Analista Judiciário - Área AdministrativaLíngua Portuguesa
Gabarito: Ever comentário ↓

[Respirar, conhecer]

Quando as pessoas fazem as grandes perguntas da vida, normalmente não têm interesse em saber quando a respiração está penetrando em suas narinas e quando está saindo. E, sim, querem saber coisas como o que acontece depois que se morre. Mas o real enigma da vida não é o que acontece depois que se morre, e sim o que acontece antes de morrer. Se você quer compreender a morte, precisa compreender a vida.

As pessoas perguntam: "Quando eu morrer, simplesmente desapareço por completo? Irei para o céu? Renascerei num novo corpo?" Essas perguntas fundamentam-se na suposição de que existe um eu que perdura do nascimento até a morte, e a pergunta é: "O que acontece com este eu na morte?". Mas o que é que perdura do nascimento até a morte? O corpo muda a cada momento, o cérebro muda a cada momento, a mente muda a cada momento. Quanto mais de perto você se observa, mais óbvio fica que nada perdura, mesmo que de um momento para o momento seguinte. Então o que dá unidade à vida? Se você não sabe qual é a resposta para isso, não compreende a vida, e certamente não compreende a morte. Se e quando você alguma vez descobrir o que dá unidade à vida, a resposta à grande questão da morte também ficará aparente.

As pessoas dizem: "A alma perdura do nascimento até a morte e portanto dá unidade à vida" – mas isso é só uma narrativa. Você alguma vez já observou uma alma? Você é capaz de explorar isso a qualquer momento, não só no momento da morte. Se for capaz de compreender o que acontece com você quando um momento termina e outro começa – você também compreenderá o que vai acontecer com você no momento da morte. Se for realmente capaz de observar a si mesmo na duração de uma única respiração – você vai compreender tudo isso.

(Adaptado de: HARARI, Yuval Noah. 21 lições para o século 21. São Paulo: Companhia das Letras, tradução de Paulo Geiger, 2018, p. 380-381)


Defende-se no texto a ideia de que os seres humanos não conhecem de fato o transcorrer ininterrupto do tempo, a linha plenamente contínua da vida, tal como se pode concluir desta formulação:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

O conceito-chave é que o texto argumenta que as pessoas não compreendem a verdadeira natureza da continuidade da vida, pois tudo muda constantemente, e questiona o que realmente perdura ou dá unidade a essa existência.

  • (A) Incorreta: Esta é uma pergunta comum que o autor usa para ilustrar a suposição de um "eu" que perdura, não a formulação da falta de conhecimento sobre a continuidade da vida.
  • (B) Incorreta: Esta é uma crítica à ideia da alma como resposta para a unidade da vida, mas não a formulação direta da falta de conhecimento sobre a continuidade em si.
  • (C) Incorreta: Esta frase redefine o foco do enigma da vida, mas não formula a ideia de que os humanos não conhecem o transcorrer contínuo do tempo.
  • (D) Incorreta: Assim como a alternativa A, esta é uma pergunta comum que o autor usa para exemplificar a crença em um "eu" que desaparece, não a formulação da falta de conhecimento sobre a continuidade da vida. A armadilha aqui é que ela parece abordar a finitude, mas não o entendimento da continuidade durante a vida.
  • (E) Correta: Esta pergunta, feita pelo autor após constatar que "nada perdura" (corpo, cérebro, mente mudam a cada momento), desafia diretamente a ideia de uma linha contínua da vida. Ela expressa a falta de conhecimento sobre o que realmente confere unidade ou continuidade à existência, alinhando-se perfeitamente com a ideia de que os seres humanos não conhecem o "transcorrer ininterrupto do tempo, a linha plenamente contínua da vida".

Fonte: FCC TRT15 2024 Analista Judiciário - Área Administrativa (Caderno Tipo 005). Reproduzida para fins de estudo.

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