Questão nº 2
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT15 2024 (nº 2)
[Respirar, conhecer]
Quando as pessoas fazem as grandes perguntas da vida, normalmente não têm interesse em saber quando a respiração está penetrando em suas narinas e quando está saindo. E, sim, querem saber coisas como o que acontece depois que se morre. Mas o real enigma da vida não é o que acontece depois que se morre, e sim o que acontece antes de morrer. Se você quer compreender a morte, precisa compreender a vida.
As pessoas perguntam: "Quando eu morrer, simplesmente desapareço por completo? Irei para o céu? Renascerei num novo corpo?" Essas perguntas fundamentam-se na suposição de que existe um eu que perdura do nascimento até a morte, e a pergunta é: "O que acontece com este eu na morte?". Mas o que é que perdura do nascimento até a morte? O corpo muda a cada momento, o cérebro muda a cada momento, a mente muda a cada momento. Quanto mais de perto você se observa, mais óbvio fica que nada perdura, mesmo que de um momento para o momento seguinte. Então o que dá unidade à vida? Se você não sabe qual é a resposta para isso, não compreende a vida, e certamente não compreende a morte. Se e quando você alguma vez descobrir o que dá unidade à vida, a resposta à grande questão da morte também ficará aparente.
As pessoas dizem: "A alma perdura do nascimento até a morte e portanto dá unidade à vida" – mas isso é só uma narrativa. Você alguma vez já observou uma alma? Você é capaz de explorar isso a qualquer momento, não só no momento da morte. Se for capaz de compreender o que acontece com você quando um momento termina e outro começa – você também compreenderá o que vai acontecer com você no momento da morte. Se for realmente capaz de observar a si mesmo na duração de uma única respiração – você vai compreender tudo isso.
(Adaptado de: HARARI, Yuval Noah. 21 lições para o século 21. São Paulo: Companhia das Letras, tradução de Paulo Geiger, 2018, p. 380-381)
Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em:
- ASe e quando você alguma vez descobrir (2º parágrafo) = no momento preciso em que se lhe revelará.
- Bnão só no momento da morte (3º parágrafo) = à revelia do instante fatídico.
- Co real enigma da vida (1º parágrafo) = o fundamento lúcido do viver.
- DEssas perguntas fundamentam-se na suposição (2º parágrafo) = tais questões estribam-se na conjectura. (alternativa correta)
- Emais óbvio fica que nada perdura (2º parágrafo) = mais patente se torna quando não mais se sustenta.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
Reescrita e equivalência de sentido significa expressar a mesma ideia de uma frase ou trecho com palavras diferentes, mantendo o significado original intacto. É como traduzir a frase para outro vocabulário sem mudar a mensagem.
- (A) Incorreta: "Se e quando você alguma vez descobrir" indica uma condição e uma possibilidade futura, talvez incerta. "No momento preciso em que se lhe revelará" sugere certeza e um ponto exato no tempo, alterando a nuance de possibilidade do original.
- (B) Incorreta: "Não só no momento da morte" significa "também em outros momentos, além da morte". "À revelia do instante fatídico" significa "independentemente ou contra a vontade do momento da morte", o que distorce completamente o sentido de inclusão do original.
- (C) Incorreta: "O real enigma da vida" refere-se a um mistério ou algo a ser desvendado. "O fundamento lúcido do viver" sugere uma base clara e racional, o oposto de um enigma.
- (D) Correta: "Fundamentam-se" é sinônimo de "estribam-se" (ambos significam basear-se, apoiar-se). "Suposição" é sinônimo de "conjectura" (ambos significam hipótese, presunção). A alternativa mantém o sentido original com sinônimos adequados.
- (E) Incorreta: "Mais óbvio fica que nada perdura" significa que a constatação de que nada permanece se torna mais clara. "Mais patente se torna quando não mais se sustenta" (Armadilha da banca!) usa "patente" como bom sinônimo de "óbvio", mas a expressão "quando não mais se sustenta" introduz uma condição temporal que não existe na frase original, que é uma afirmação sobre a natureza da impermanência, não sobre o momento em que algo deixa de se sustentar.
Fonte: FCC TRT15 2024 Analista Judiciário - Área Administrativa (Caderno Tipo 005). Reproduzida para fins de estudo.