Questão nº 2
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT15 2023 (nº 2)
Ainda hoje, quando lanço o olhar ao mar, imagino a vida de meus avós como ilhas distantes, cercadas pela vastidão de um oceano de histórias (muitas delas guardadas na linha de um horizonte que não pode mais ser lido). No alto do Morro de São Sebastião, contemplo o sol nascente e me inspiro a iniciar estas linhas. Talvez elas não contenham toda a verdade, talvez haja imprecisões e deslizes históricos, mas foi assim que eu as recebi, pela boca dos que sobreviveram.
Ieiri-san inspecionava as conversas dos navios que nasciam no estaleiro que dirigia com disciplina. Há décadas os japoneses iniciaram a colonização da ilha de Taiwan, tomada da China após a guerra sino-japonesa. Para lá a família Ieiri emigrou para prosperar. Chiyoko, filha do patriarca Ieiri, cresceu entre finas bonecas de porcelana, tendo os melhores instrutores, tornando-se de pianista a carateca. Sempre ávida por conhecimento, aprendeu com seu tio diversos procedimentos, tais como a realização de partos e, sobretudo, a quiropraxia. Chiyoko se transformou em uma mulher extraordinária, nadando em alto-mar e, apesar de sua compleição esguia, aventurando-se até a praticar sumô. Após aprender tantas coisas, não poderia ter se tornado outra coisa a não ser professora.
Naquele dia, apesar da triste guerra, Chiyoko estava feliz. Era o dia do aniversário de seu pai. Não importava a ela que seu otosan estivesse em um leito de hospital nem que o medo rondasse cada esquina. Ela tinha conseguido, a grande custo, algumas iguarias que seu pai gostava de comer. Era para comemorar a data, para celebrar a vida. E seus passos eram alegres quando a sirene tocou. E era alegre o dia quando as bombas caíram.
O hospital em que seu pai estava foi atingido. A vida naufragou. [...] Por ter aprendido tantas coisas com o tio médico, Chiyoko auxiliava os feridos durante a guerra, que estava para ser perdida.
(Adaptado de: KONDO, André. Origens. Editora do Brasil, 2019. Edição Eletrônica)
O termo sublinhado indica ideia de adição no seguinte segmento:
- APara lá a família Ieiri emigrou para prosperar. (2º parágrafo)
- BE seus passos eram alegres quando a sirene tocou. (3º parágrafo)
- CIeiri-san inspecionava as conversas dos navios que nasciam no estaleiro que dirigia com disciplina. (2º parágrafo)
- DNão importava a ela que seu otosan estivesse em um leito de hospital nem que o medo rondasse cada esquina. (3º parágrafo) (alternativa correta)
- ETalvez elas não contenham toda a verdade. (1º parágrafo)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
Conectivos são palavras ou expressões que ligam partes de um texto, estabelecendo relações de sentido entre elas. A adição é uma dessas relações, indicando que uma informação é somada a outra, complementando-a.
- (A) Incorreta: O termo "para" indica finalidade (o objetivo de prosperar), não adição.
- (B) Incorreta: Embora "e" seja uma conjunção aditiva, neste contexto, iniciando a frase, ela pode funcionar mais como um conectivo sequencial ou de continuação narrativa, introduzindo um novo fato, e não como uma adição de elementos equivalentes dentro de uma mesma ideia principal, como ocorre com "nem". (Armadilha da banca: "e" é classicamente aditivo, mas a banca pode ter buscado uma adição mais explícita de elementos negativos ou equivalentes, como em D.)
- (C) Incorreta: O termo "que" atua como pronome relativo, introduzindo uma oração subordinada adjetiva que especifica os navios, sem indicar adição.
- (D) Correta: O termo "nem" funciona como uma conjunção aditiva de negação, significando "e não". Ele adiciona uma segunda circunstância negativa ("que o medo rondasse") à primeira ("que seu otosan estivesse em um leito de hospital"), expressando claramente uma ideia de adição de elementos negativos.
- (E) Incorreta: O termo "talvez" é um advérbio que expressa dúvida ou possibilidade, não adição.
Fonte: FCC TRT15 2023 Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Tecnologia da Informação (Caderno Tipo 002). Reproduzida para fins de estudo.