Questão nº 9

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT-20 2016 (nº 9)

FCC2016Comum TécnicoLíngua Portuguesa
Gabarito: Ever comentário ↓

O conceito de infância, como o conhecemos, consolidou-se no Ocidente a partir do século XVIII. Até o século XVI, pelo menos, assim que conseguissem se virar sem as mães ou as amas, as crianças eram integradas ao mundo dos adultos. A infância, como idade da brincadeira e da formação escolar, ao mesmo tempo com direito à proteção dos pais e depois à do Estado, é algo relativamente novo.

A infância não é um conceito determinado apenas pela biologia. Como tudo, é também um fenômeno histórico implicado nas transformações econômicas e sociais do mundo, em permanente mudança e construção.

Hoje há algo novo nesse cenário. Vivemos a era dos adultos infantilizados. Não é por acaso que proliferaram os coaches*.* Coach*, em inglês, significa treinador. Originalmente, treinador de esportistas. Nesse conceito importado dos Estados Unidos, país que transformou a infância numa bilionária indústria de consumo, a ideia é a de que, embora estejamos na idade adulta, não sabemos lidar com a vida sozinhos. Precisamos de um treinador que nos ajude a comer, conseguir amigos e emprego, lidar com conflitos matrimoniais e profissionais, arrumar as finanças e até mesmo organizar os armários. Uma espécie de infância permanente do indivíduo.*

Os adultos infantilizados desse início de milênio encarnam a geração do "eu mereço". Alcançar sonhos, ideais ou mesmo objetivos parece ser compreendido como uma consequência natural do próprio existir, de preferência imediata. Quando essa crença fracassa, é hora de buscar o treinador de felicidade, o treinador de saúde. É estarrecedor verificar como as gerações que estão aí parecem não perceber que dá trabalho conquistar o que se deseja. E, mesmo que se esforcem muito, haverá sempre o que não foi possível alcançar.

++(Adaptado de: BRUM, ELIANE. Disponível em: **http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca**)++


Afirma-se corretamente:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

Os dois-pontos (:) são um sinal de pontuação usado para introduzir uma explicação, uma enumeração, uma citação ou uma consequência do que foi dito anteriormente. Eles servem para conectar ideias, onde a segunda parte detalha ou justifica a primeira.

  • (A) Incorreta: O pronome "o" em "como o conhecemos" refere-se a "O conceito de infância", que é o objeto direto do verbo "conhecemos", e não a "Ocidente".
  • (B) Incorreta: A crase em "à do Estado" é obrigatória. Ela resulta da preposição "a" (exigida por "direito a") e do pronome demonstrativo "a" (que retoma "proteção"), formando "à proteção do Estado" de forma elíptica. Não é facultativa.
  • (C) Incorreta: O termo "implicado" significa envolvido, relacionado. Substituí-lo por "compelido" (forçado, obrigado) altera o sentido da frase, pois um fenômeno está envolvido nas transformações, não necessariamente forçado por elas.
  • (D) Incorreta: A expressão "cuja a" está gramaticalmente incorreta; o pronome relativo "cujo(a)" já inclui o artigo, devendo ser "cuja infância". Além disso, a substituição muda a voz verbal e o foco da frase, alterando o sentido original.
  • (E) Correta: As frases podem ser articuladas com dois-pontos porque a segunda frase ("Vivemos a era dos adultos infantilizados") funciona como uma explicação ou detalhamento do "algo novo nesse cenário" mencionado na primeira. O uso dos dois-pontos para introduzir uma explicação é gramaticalmente correto, e a alteração da maiúscula para minúscula após os dois-pontos é adequada nesse contexto.

Fonte: FCC TRT-20 2016 Conhecimentos Comuns (Técnico) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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