Questão nº 1

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT-20 2016 (nº 1)

FCC2016Analista Judiciário - Área AdministrativaLíngua Portuguesa
Gabarito: Cver comentário ↓

Zé de Julião, muito além do cangaço

Em 1977 estava em Sergipe para realizar um episódio do Globo Repórter; adentrei os sertões e cheguei a Poço Redondo. A pequenez da cidade contrastava com a riqueza cultural e a hospitalidade dos seus moradores. A alegria do encontro com sua gente guardava outras surpresas. Poço Redondo é o epicentro simbólico da história do cangaço. Aí morreram Lampião e Maria Bonita, e muitos outros. Aí conheci o escritor e historiador de sua gente, meu saudoso amigo Alcino Alves Costa. E foi dele que ouvi oralmente a história de Zé de Julião.

Nesse momento, o cangaço deixou de ser um coletivo para mim e passei a ver nele a dimensão dos seus integrantes como pessoas reais em suas individualidades, grandezas e misérias. Foi aí também que nos prometemos, eu e Alcino, a realizar um filme sobre a extraordinária vida daquele homem, que de alguma forma une os dois grandes símbolos da cultura brasileira: o cangaço e Brasília. O cangaço, representativo da insubmissão violenta à opressão, e Brasília, esse marco da grande utopia de uma nação democrática, justa para todos, e pela qual continuamos a lutar.

Aconteceu; e não foi só um filme, são dois. Em 2012, realizei o ficção "Aos ventos que virão". Hoje entrego ao povo sergipano o "Zé de Julião, muito além do cangaço", documentário que busca contar a vida desse homem de caminhos com tantas alegrias, tragédias e símbolos.


A partir da leitura do texto, conclui-se corretamente que

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

O conceito-chave aqui é a interpretação textual, que exige que você se atenha estritamente às informações fornecidas no texto, sem adicionar conhecimentos externos ou fazer inferências não suportadas. A questão pede uma conclusão correta baseada apenas no que foi lido.

  • A) Incorreta: O texto diz que "Aos ventos que virão" é um filme de ficção, não um documentário. Além disso, a conexão com Brasília é simbólica ("une os dois grandes símbolos"), e não um trajeto físico de cangaceiros para a capital.
  • B) Incorreta: O interesse de Hermano Penna não foi apenas pela hospitalidade, mas também pela "riqueza cultural" e o fato de Poço Redondo ser o "epicentro simbólico da história do cangaço". A alternativa distorce a relação com Brasília, sugerindo que políticos foram a Poço Redondo, o que não é mencionado.
  • (C) Correta: O texto afirma que, após conhecer a história de Zé de Julião em Poço Redondo, "o cangaço deixou de ser um coletivo para mim e passei a ver nele a dimensão dos seus integrantes como pessoas reais em suas individualidades, grandezas e misérias". Isso mostra que o encontro com o povo de Poço Redondo (e a história de Zé de Julião) mudou a percepção do autor, permitindo-lhe focar o cangaço como um movimento de indivíduos complexos e com histórias próprias, e não apenas como um fenômeno coletivo. Os filmes são o resultado dessa nova perspectiva.
  • D) Incorreta: Hermano Penna chegou a Poço Redondo para realizar um episódio do Globo Repórter, não especificamente um documentário sobre Lampião e Maria Bonita. A armadilha aqui é a afirmação de que Zé de Julião seria um cangaceiro "mais célebre" que Lampião, o que não é dito no texto. O texto o descreve como tendo uma "extraordinária vida", mas não o compara em celebridade com Lampião.
  • E) Incorreta: O texto não menciona que o material colhido foi "tão vasto" a ponto de exigir dois filmes. Ele apenas diz que "não foi só um filme, são dois", sendo um de ficção e outro documentário. Também não indica que um seja uma "continuação direta" do outro, pois são de gêneros diferentes e abordam aspectos distintos (um é ficção, o outro é sobre a vida de Zé de Julião).

Fonte: FCC TRT-20 2016 Analista Judiciário - Área Administrativa (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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