Questão nº 6
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT-15 2018 (nº 6)
Atenção: Leia o texto a seguir para responder às questões de números 1 a 9.
Quando pela primeira vez li Jean-Paul Sartre fiquei fascinado. Isso era filosofia sobre a vida, sobre encontrar sentido e sobre como se conduzir.
“A existência precede a essência.” Se houvesse um concurso para a frase mais curta que resumisse uma posição filosófica inteira, essas palavras de Sartre venceriam. Trata-se da base sobre a qual o existencialismo moderno foi construído.
Sartre está dizendo que ao contrário dos objetos do mundo – por exemplo, minha torradeira – os seres humanos não podem ser definidos pelas suas propriedades. A torradeira é criada para tostar pão; a capacidade de tostar é o propósito e a essência da torradeira. No entanto, nós, seres humanos, podemos gerar e alterar nossas propriedades e propósitos fundamentais ao longo do caminho, de modo que não faz sentido dizer que temos alguma essência definidora imutável. Em primeiro lugar, nós existimos, e, em seguida, criamos a nós mesmos. Isso não é algo que minha torradeira poderia fazer.
Naturalmente, Sartre não quis dizer que podemos autocriar nossas propriedades físicas. Eu não posso querer ser alto. Nem posso querer ser marroquino. As questões importantes, porém, cabe a mim determinar, por exemplo: como exatamente eu quero viver, o que eu quero fazer com meu tempo limitado na Terra, pelo que eu estaria disposto a morrer – as qualidades que fundamentalmente fazem de mim um indivíduo. Tudo isso está aí para ser conquistado. Minhas conquistas.
Sartre não está apenas descrevendo esse potencial que é único para os seres humanos, ele está exortando-nos a adotá-lo e com ele nossa responsabilidade por aquilo que nos tornamos. E isso é assustador: se eu sou o mestre do meu destino, e o meu destino não se sai assim tão bem, não tenho ninguém para culpar além de mim mesmo.
(Adaptado de: KLEIN, Daniel. O livro do significado da vida. Trad. Leonardo Abramowicz. São Paulo, Gente, 2017, p. 54-55)
A frase de Sartre (2º parágrafo), destacada entre aspas, está corretamente reportada em discurso indireto e com a forma verbal na voz passiva em:
Este texto de apoio vale também pra questão nº 1, questão nº 2, questão nº 3, questão nº 4, questão nº 5, questão nº 7, questão nº 8, questão nº 9.
- APara Sartre era a existência que precedia a essência.
- BNas palavras de Sartre: − A essência vem precedida da existência.
- CSegundo Sartre, a existência é que precede a essência.
- DSartre defendia que à essência precedia a existência.
- ESartre afirmou que a essência era precedida pela existência. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
Discurso indireto é a forma de relatar a fala ou pensamento de alguém usando as palavras do narrador, sem as aspas do discurso direto. A voz passiva ocorre quando o sujeito da frase sofre a ação, sendo geralmente construída com o verbo "ser" (ou outro auxiliar) e o particípio do verbo principal. A frase original é "A existência precede a essência." (discurso direto, voz ativa).
- A) Incorreta: A frase está em discurso indireto, mas a estrutura "era a existência que precedia" mantém a voz ativa. "A existência" continua sendo o sujeito que pratica a ação de "preceder".
- B) Incorreta: Esta alternativa ainda apresenta a frase em discurso direto, indicada pelo uso dos dois pontos e do travessão, e não na voz passiva ("vem precedida" não é a forma padrão da voz passiva com "ser").
- C) Incorreta: A frase está em discurso indireto, mas "a existência é que precede" mantém a voz ativa. "A existência" é o sujeito que pratica a ação.
- D) Incorreta: A frase está em discurso indireto, mas "precedia a existência" permanece na voz ativa. "A existência" é o sujeito que pratica a ação de preceder. A construção com "à essência" também altera a função sintática original do termo.
- (E) Correta: Esta alternativa transforma corretamente a frase para o discurso indireto ("Sartre afirmou que...") e para a voz passiva ("a essência era precedida pela existência"). O objeto da frase original ("a essência") tornou-se o sujeito da passiva, e o sujeito original ("a existência") tornou-se o agente da passiva ("pela existência"). Além disso, o tempo verbal foi ajustado corretamente do presente ("precede") para o pretérito imperfeito ("era precedida"), devido ao verbo de elocução no passado ("afirmou").
Fonte: FCC TRT-15 2018 Técnico Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Enfermagem (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.