Questão nº 1
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT-15 2018 (nº 1)
Atenção: Leia o texto a seguir para responder às questões de números 1 a 9.
Quando pela primeira vez li Jean-Paul Sartre fiquei fascinado. Isso era filosofia sobre a vida, sobre encontrar sentido e sobre como se conduzir.
“A existência precede a essência.” Se houvesse um concurso para a frase mais curta que resumisse uma posição filosófica inteira, essas palavras de Sartre venceriam. Trata-se da base sobre a qual o existencialismo moderno foi construído.
Sartre está dizendo que ao contrário dos objetos do mundo – por exemplo, minha torradeira – os seres humanos não podem ser definidos pelas suas propriedades. A torradeira é criada para tostar pão; a capacidade de tostar é o propósito e a essência da torradeira. No entanto, nós, seres humanos, podemos gerar e alterar nossas propriedades e propósitos fundamentais ao longo do caminho, de modo que não faz sentido dizer que temos alguma essência definidora imutável. Em primeiro lugar, nós existimos, e, em seguida, criamos a nós mesmos. Isso não é algo que minha torradeira poderia fazer.
Naturalmente, Sartre não quis dizer que podemos autocriar nossas propriedades físicas. Eu não posso querer ser alto. Nem posso querer ser marroquino. As questões importantes, porém, cabe a mim determinar, por exemplo: como exatamente eu quero viver, o que eu quero fazer com meu tempo limitado na Terra, pelo que eu estaria disposto a morrer – as qualidades que fundamentalmente fazem de mim um indivíduo. Tudo isso está aí para ser conquistado. Minhas conquistas.
Sartre não está apenas descrevendo esse potencial que é único para os seres humanos, ele está exortando-nos a adotá-lo e com ele nossa responsabilidade por aquilo que nos tornamos. E isso é assustador: se eu sou o mestre do meu destino, e o meu destino não se sai assim tão bem, não tenho ninguém para culpar além de mim mesmo.
(Adaptado de: KLEIN, Daniel. O livro do significado da vida. Trad. Leonardo Abramowicz. São Paulo, Gente, 2017, p. 54-55)
Da leitura do texto, entende-se que a frase “A existência precede a essência” pressupõe que
Este texto de apoio vale também pra questão nº 2, questão nº 3, questão nº 4, questão nº 5, questão nº 6, questão nº 7, questão nº 8, questão nº 9.
- Aa existência do homem seja predefinida por seus propósitos.
- Bas ações humanas sejam orientadas pelo livre-arbítrio. (alternativa correta)
- Ca essência humana não possa ser alterada pela história.
- Do tratamento dado a um indivíduo resulte de sua essência.
- Eo homem sinta-se potente por ter uma essência mutável.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
Pressuposto é uma ideia implícita, uma informação que se assume como verdadeira para que uma afirmação faça sentido. No caso da frase "A existência precede a essência", o pressuposto é que o ser humano primeiro existe e, só depois, define quem ele é, suas características e propósitos.
- (A) Incorreta: O texto afirma o oposto, que os seres humanos "não podem ser definidos pelas suas propriedades" e que "não faz sentido dizer que temos alguma essência definidora imutável", ou seja, a existência não é predefinida.
- (B) Correta: Se o homem "cria a si mesmo" e tem a responsabilidade de "determinar" como quer viver e o que quer fazer, isso pressupõe que ele tem a liberdade de escolha sobre suas ações e sobre quem ele se torna, o que é o conceito de livre-arbítrio.
- (C) Incorreta: O texto diz que "podemos gerar e alterar nossas propriedades e propósitos fundamentais ao longo do caminho", indicando que a essência é mutável e criada pela própria história e escolhas do indivíduo.
- (D) Incorreta: A frase e o texto focam na criação da essência pelo próprio indivíduo, não em como ele é tratado com base em uma essência pré-existente.
- (E) Incorreta: Embora a essência seja mutável, o texto descreve a responsabilidade que advém dessa liberdade como "assustador", não necessariamente como algo que faça o homem sentir-se potente de forma positiva.
Fonte: FCC TRT-15 2018 Técnico Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Enfermagem (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.