Questão nº 3

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT-15 2018 (nº 3)

FCC2018Comum JudiciáriaLíngua Portuguesa
Gabarito: Bver comentário ↓

Atenção: Para responder às questões de números 1 a 7, baseie-se no texto abaixo.

Sabedoria de Sêneca

Entre as tantas reflexões sábias que o filósofo estoico Sêneca nos deixou encontra-se esta: “Deve-se misturar e alternar a solidão e a comunicação. Aquela nos incutirá o desejo do convívio social, esta, o desejo de nós mesmos; e uma será o remédio da outra: a solidão curará nossa aversão à multidão, a multidão, nosso tédio à solidão”. É uma proposta admirável de equilíbrio, válida tanto para o século I, na pujança do Império Romano em que Sêneca viveu, como para o nosso, em que precisamos viver. É próprio, aliás, dos grandes pensadores, formular verdades que não envelhecem.

Nesse seu preciso aconselhamento, Sêneca encontra a possibilidade de harmonização entre duas necessidades opostas e aparentemente inconciliáveis. O decidido amor à solidão ou a necessidade ingente de convívio com os outros excluem-se, a princípio, e marcariam personalidades radicalmente distintas. Mas Sêneca sabe que ambas podem ser insatisfatórias em si mesmas: a natureza humana comporta impulsos contraditórios. Por isso está no sistema filosófico dos estoicos a noção de equilíbrio como princípio inescapável para o que consideram, como o melhor dos nossos destinos, a “tranquilidade da alma”.

Esse equilíbrio supõe aceitarmos as tensões polarizadas de nossa natureza dividida e aproveitar de cada polaridade o que ela tenha de melhor: a solidão nos impulsiona para o reconhecimento de nós mesmos, para a nossa identidade íntima, para a diferença que nos identifica entre todos; a companhia nos faz reconhecer a identidade do outro, movida pela mesma força que constitui a nossa. Sêneca, ao reconhecer que somos unos em nós mesmos, lembra que essa mesma instância de unidade está em todos nós, e tem um nome: humanidade.

(Altino Sampaio, inédito)


Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em:

Este texto de apoio vale também pra questão nº 1, questão nº 2, questão nº 4, questão nº 5, questão nº 6, questão nº 7.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

A equivalência de sentido busca substituir palavras ou estruturas por outras que mantenham a mesma ideia central, sem alterar o significado original do texto. É preciso atenção aos sinônimos e às nuances contextuais.

A) Incorreta: "Formular verdades" (criar, expressar verdades) não é o mesmo que "fomentar razões" (incentivar, promover motivos).
B) Correta: "Esse equilíbrio supõe aceitarmos" (o equilíbrio pressupõe que aceitemos) tem o mesmo sentido de "Tal estabilidade conta com que admitamos" (a estabilidade exige que admitamos). "Supor" e "contar com" são sinônimos de pressuposição, e "aceitarmos" (infinitivo pessoal) equivale a "que admitamos" (oração subordinada substantiva subjetiva).
C) Incorreta: A armadilha aqui está em "inconciliáveis" e "irretratáveis". "Inconciliáveis" significa que não podem ser harmonizadas ou postas em acordo, enquanto "irretratáveis" significa que não podem ser desfeitas ou modificadas (como uma decisão). Embora ambas sugiram algo fixo, seus significados específicos são distintos no contexto. Além disso, "necessidades" e "motivos" não são sinônimos perfeitos.
D) Incorreta: "Inescapável" significa inevitável, que não se pode fugir. "Inapreensível" significa que não pode ser compreendido ou percebido. Os sentidos são completamente diferentes.
E) Incorreta: "Convívio" refere-se à vida em comum, à sociabilidade. "Cumplicidade" implica um entendimento íntimo ou participação em algo (muitas vezes, mas não exclusivamente, negativo). Embora o convívio possa levar à cumplicidade, eles não são sinônimos diretos.

Fonte: FCC TRT-15 2018 Conhecimentos Comuns (Judiciária) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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