Questão nº 9

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT-12 2023 (nº 9)

FCC2023Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Tecnologia da InformaçãoLíngua Portuguesa
Gabarito: Ever comentário ↓

Luís Bernardo Honwana é um dos precursores da literatura moçambicana e um dos maiores intérpretes da moçambicanidade. Quando tinha 22 anos, em 1964, fez publicar uma obra seminal e fundadora da moderna ficção moçambicana – Nós Matamos o Cão Tinhoso*. O início desta obra é um dos mais belos que se podem cotejar entre nós: "O Cão Tinhoso tinha uns olhos azuis que não tinham brilho nenhum, mas eram enormes e estavam sempre cheios de lágrimas, que lhe escorriam pelo focinho. Metiam medo aqueles olhos, assim tão grandes, a olhar como uma pessoa a pedir qualquer coisa sem querer dizer".*

O jovem autor de Nós Matamos o Cão Tinhoso redigira uma nota biográfica igualmente singular: "Não sei se sou realmente escritor. Acho que apenas escrevo sobre coisas que, acontecendo à minha volta, se relacionem intimamente comigo ou traduzam fatos que me pareçam decentes. Este livro de histórias é o testemunho em que tento retratar uma série de situações e procedimentos que talvez interesse conhecer".

A realidade que estas histórias narram ultrapassa, em muito, a circunstância da mera biografia. Estes textos denunciavam, de forma resoluta e corajosa, uma realidade social profundamente injusta e desigual. Textos breves, quase todos, à exceção daquele que nomeia o volume. Este livro é uma surpreendente obra literária e é um libelo acusatório virulento. Provavelmente, a grande literatura seja isso mesmo: a combinação entre as faculdades da arte em si e o poder de esta nos interpelar com a realidade que ilustra ou denuncia.

(Disponível em: https://opais.co.mz. Adaptado)


Metiam medo aqueles olhos, assim tão grandes

O elemento sublinhado acima exerce, no contexto, a mesma função sintática que o também sublinhado em:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

O sujeito é o termo da oração que pratica ou sofre a ação verbal, ou sobre o qual se faz uma declaração. Para identificá-lo, perguntamos "Quem?" ou "O quê?" antes do verbo. Na frase "Metiam medo aqueles olhos", perguntamos: "O que metia medo?" A resposta é "aqueles olhos". Portanto, "aqueles olhos" é o sujeito (posposto, ou seja, colocado após o verbo).

  • (A) Incorreta: O "que" é um pronome relativo que funciona como sujeito do verbo "ilustra ou denuncia". Embora seja sujeito, é um pronome, enquanto o termo da frase original é um sintagma nominal.
  • (B) Incorreta: "um libelo acusatório virulento" é o predicativo do sujeito "Este livro", pois caracteriza o sujeito após um verbo de ligação ("é").
  • (C) Incorreta: "uns olhos azuis" é o objeto direto do verbo transitivo direto "tinha", completando seu sentido.
  • (D) Incorreta: "à minha volta" é um adjunto adverbial de lugar, indicando onde a ação de "acontecendo" ocorre.
  • (E) Correta: "a grande literatura" é o sujeito do verbo "seja". Assim como "aqueles olhos" na frase original, é um sintagma nominal que exerce a função de sujeito, representando a correspondência mais precisa. A armadilha na alternativa (A) é que, apesar de "que" ser sujeito, ele é um pronome relativo, e a questão busca uma função sintática idêntica em tipo de elemento (sintagma nominal).

Fonte: FCC TRT-12 2023 Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Tecnologia da Informação (Caderno Tipo 003). Reproduzida para fins de estudo.

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