Questão nº 4

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT-12 2023 (nº 4)

FCC2023Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Tecnologia da InformaçãoLíngua Portuguesa
Gabarito: Aver comentário ↓

Quase todos os dias, quando era criança, Safico tinha como tarefa levar almoço para o pai no trabalho. O menino, então com cerca de 12 anos, ficava observando o pai pescar. Com a tarrafa em mãos, um tipo de rede circular com pesos distribuídos nas bordas, o homem esperava um sinal para jogá-la na água e pegar os peixes. O sinal vinha de golfinhos – também chamados de botos em algumas regiões do país – na forma de movimentos especialmente vigorosos, como uma batida na água com a cabeça ou a cauda, ou um nado rápido seguido de um mergulho. Em resposta, o pescador lançava a tarrafa e conseguia capturar as tainhas. Há mais de 50 anos, Safico, 71, pesca exatamente da mesma forma que o pai: com ajuda dos botos.

Pode parecer história de pescador, mas não aconteceu apenas com Wilson Francisco dos Santos – o Safico – e sua família. Boa parte das centenas de pescadores da região de Laguna, em Santa Catarina, pratica a pesca com botos. Segundo o relato das pessoas que vivem há muitos anos na área, a atividade ocorre há mais de 140 anos. A tradição é tão enraizada que os "animais ajudantes" são chamados de trabalhadores. [...] Safico e seus colegas de trabalho sabem exatamente como diferenciar cada um dos animais pela coloração ou forma como eles emitem o sinal que autoriza a "tarrafada".

Desde os anos 1980, pesquisadores da capital catarinense observam e tentam entender melhor essa interação entre os pescadores e os golfinhos nariz-de-garrafa. [...] A interação acontece em um espaço de tempo muito curto: são cerca de 7 segundos entre o sinal do boto e o movimento do pescador, que tem 17 vezes mais chances de capturar peixes quando sincroniza suas ações com as dos animais. Os pescadores também pescam quatro vezes mais peixes com ajuda dos "colegas de trabalho".

(Adaptado de: NAISA, Letícia. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br. 01/03/2023)


A frase cujo verbo pode ser flexionado em uma forma do plural, sem prejuízo para a correção e sem que nenhuma outra alteração seja feita, está em:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

A concordância verbal é a regra que exige que o verbo (a palavra que indica ação, estado ou fenômeno) combine em número (singular ou plural) e pessoa (eu, tu, ele/ela, nós, vós, eles/elas) com o seu sujeito (quem pratica ou sofre a ação).

  • (A) Correta: A frase apresenta um sujeito partitivo ("Boa parte das centenas de pescadores"). Nesses casos, o verbo pode concordar com o núcleo do sujeito (singular: "parte") ou com o termo que o especifica (plural: "pescadores"). Assim, "pratica" (singular) está correto, mas "praticam" (plural) também estaria, sem prejuízo à correção.
  • (B) Incorreta: O sujeito de "aconteceu" é "não aconteceu apenas com Wilson Francisco dos Santos – o Safico – e sua família." O sujeito implícito é "isso" (referindo-se à "história de pescador" mencionada anteriormente), que é singular. Portanto, o verbo deve permanecer no singular.
  • (C) Incorreta: O sujeito do verbo "ficava" é "O menino", que está no singular. O verbo deve concordar com ele, permanecendo no singular.
  • (D) Incorreta: O sujeito do verbo "tem" é o pronome relativo "que", que retoma "o pescador". Como "o pescador" é singular, o verbo "tem" (3ª pessoa do singular) está correto e não pode ser flexionado para o plural ("têm").
  • (E) Incorreta: O sujeito implícito do verbo "sincroniza" é "o pescador" (referente ao pescador da frase anterior), que está no singular. O verbo deve concordar com ele, permanecendo no singular.

Fonte: FCC TRT-12 2023 Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Tecnologia da Informação (Caderno Tipo 003). Reproduzida para fins de estudo.

Continue estudando

Estudar é izi

Pratique milhares de questões como esta, de graça, com explicação e gamificação no Quizinho.

Estudar de graça no Quizinho