Questão nº 9
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT-11 2017 (nº 9)
Freud uma vez recebeu carta de um conhecido pedindo conselhos diante de uma escolha importante da vida. A resposta é surpreendente: para as decisões pouco importantes, disse ele, vale a pena pensar bem. Quanto às grandes escolhas da vida, você terá menos chance de errar se escolher por impulso.
A sugestão parece imprudente, mas Freud sabia que as razões que mais pesam nas grandes escolhas são inconscientes, e o impulso obedece a essas razões. Claro que Freud não se referia às vontades impulsivas proibidas. Falava das decisões tomadas de “cabeça fria”, mas que determinam o rumo de nossas vidas. No caso das escolhas profissionais, as motivações inconscientes são decisivas. Elas determinam não só a escolha mais “acertada”, do ponto de vista da compatibilidade com a profissão, como são também responsáveis por aquilo que chamamos de talento. Isso se decide na infância, por mecanismos que chamamos de identificações. Toda criança leva na bagagem alguns traços da personalidade dos pais. Parece um processo de imitação, mas não é: os caminhos das identificações acompanham muito mais os desejos não realizados dos pais do que aqueles que eles seguiram na vida.
Junto com as identificações formam-se os ideais. A escolha profissional tem muito a ver com o campo de ideais que a pessoa valoriza. Dificilmente alguém consegue se entregar profissionalmente a uma prática que não represente os valores em que ela acredita.
Tudo isso está relacionado, é claro, com a almejada satisfação na vida profissional. Mas não vamos nos iludir. Satisfação no trabalho não significa necessariamente prazer em trabalhar. Grande parte das pessoas não trabalharia se não fosse necessário. O trabalho não é fonte de prazer, é fonte de sentido. Ele nos ajuda a dar sentido à vida. Só que o sentido da vida profissional não vem pronto: ele é o efeito, e não a premissa, dos anos de prática de uma profissão. Na contemporaneidade, em que se acredita em prazeres instantâneos, resultados imediatos e felicidade instantânea, é bom lembrar que a construção de sentido requer tempo e persistência. Por outro lado, quando uma escolha não faz sentido o sujeito percebe rapidamente.
(Adaptado de KEHL, Maria Rita. Disponível em: rae.fgv.br /sites/rae.fgv.br/files/artigos)
Freud uma vez recebeu carta de um conhecido pedindo conselhos...
Sem prejuízo da correção e do sentido, o elemento sublinhado acima pode ser substituído por:
- Aatravés de que se pedia
- Bque lhe pedia (alternativa correta)
- Cda qual pedia-lhe
- Donde pedia-se
- Eem que se pedia
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
Um pronome relativo serve para conectar duas orações, substituindo um termo (o antecedente) da primeira oração na segunda, evitando repetição e introduzindo uma oração subordinada. Ele retoma o antecedente e o coloca em relação com o restante da frase.
- (A) Incorreta: A construção "através de que" sugere "por meio do qual", alterando o sentido de quem realiza a ação de pedir. Além disso, "se pedia" torna a ação impessoal, enquanto o original indica que o "conhecido" é o agente.
- (B) Correta: O pronome relativo "que" retoma o antecedente "conhecido", e o pronome oblíquo "lhe" refere-se a Freud, a quem os conselhos eram pedidos. A forma verbal "pedia" concorda com "que" (o conhecido), mantendo o sentido e a correção gramatical da ação de pedir.
- (C) Incorreta: O pronome relativo "da qual" retoma "carta", não "conhecido". A ação de "pedindo" é realizada pelo conhecido, não pela carta. Essa alternativa muda o agente da ação e o sentido.
- (D) Incorreta: O pronome relativo "onde" indica lugar, o que não se aplica ao contexto da frase. Além disso, "pedia-se" torna a ação impessoal, descaracterizando o agente original (o conhecido).
- (E) Incorreta: A construção "em que" pode indicar tempo ou modo, mas não se encaixa na relação direta de quem pede conselhos. Assim como nas alternativas A e D, "se pedia" torna a ação impessoal, alterando o sentido original.
Fonte: FCC TRT-11 2017 Conhecimentos Comuns (Técnicos TRT11) (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.