Questão nº 1
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT-11 2017 (nº 1)
Muito antes das discussões atuais sobre as mudanças climáticas, os cataclismos naturais despertam interesse no homem. Os desastres são um capítulo trágico da história da humanidade desde tempos longínquos. Supostas inundações catastróficas aparecem em relatos de várias culturas ao longo dos tempos, desde os antigos mesopotâmicos e gregos até os maias e os vikings.
Fora da rota dos grandes furacões, sem vulcões ativos e desprovido de zonas habitadas sujeitas a terremotos, o Brasil não figura entre os países mais suscetíveis a desastres naturais. Contudo, a aparência de lugar protegido dos humores do clima e dos solavancos da geologia deve ser relativizada. Aqui, cerca de 85% dos desastres são causados por três tipos de ocorrências: inundações bruscas, deslizamentos de terra e secas prolongadas. Esses fenômenos são relativamente recorrentes em zonas tropicais, e seus efeitos podem ser atenuados por políticas públicas de redução de danos.
Dois estudos feitos por pesquisadores brasileiros indicam que o risco de ocorrência desses três tipos de desastre deverá aumentar até o final do século. Eles também sinalizam que novos pontos do território nacional deverão se transformar em áreas de risco significativo para esses mesmos problemas. “Os impactos tendem a ser maiores no futuro, com as mudanças climáticas, o crescimento das cidades e a ocupação de mais áreas de risco”, comenta o pesquisador José A. Marengo.
Além da suscetibilidade natural a secas, enchentes, deslizamentos e outros desastres, a ação do homem tem um peso considerável em transformar o que poderia ser um problema de menor monta em uma catástrofe. Os pesquisadores estimam que um terço do impacto dos deslizamentos de terra e metade dos estragos de inundações poderiam ser evitados com alterações de práticas humanas ligadas à ocupação do solo e a melhorias nas condições socioeconômicas da população em áreas de risco.
Moradias precárias em lugares inadequados, perto de encostas ou em pontos de alagamento, cidades superpopulosas e impermeabilizadas, que não escoam a água da chuva; esses fatores da cultura humana podem influenciar o desfecho de uma situação de risco. “Até hábitos cotidianos, como não jogar lixo na rua, e o nível de solidariedade de uma população podem ao menos mitigar os impactos de um desastre”, pondera a geógrafa Lucí Hidalgo Nunes.
(Adaptado de PIVETTA, Marcos. Disponível em: http://revistapesquisa.fapesp.br)
Depreende-se do texto que
- Aatitudes cotidianas simples, como não jogar lixo na rua, são capazes de prevenir desastres naturais, com potencial de ocasionar consequências graves.
- Bo Brasil, dado que está fora do alcance dos grandes furacões, não tem vulcões ativos ou regiões sujeitas a terremotos, não está exposto a catástrofes geológicas e climáticas.
- Calgumas regiões brasileiras tendem a se tornar mais vulneráveis a inundações bruscas, deslizamentos de terra e secas prolongadas nas próximas décadas. (alternativa correta)
- Dpolíticas públicas eficazes podem evitar a ocorrência de cataclismos naturais como inundações e longos períodos de secas.
- Ea remoção da população que ocupa áreas de risco, perto de encostas, apesar de considerada controversa, é apontada como uma medida imprescindível para evitar abalos geológicos.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
A interpretação de texto exige que o aluno identifique informações explícitas e implícitas, compreendendo o sentido global e as nuances do que foi lido, sem adicionar conhecimentos externos ou distorcer o que o texto afirma.
- (A) Incorreta: O texto afirma que hábitos como não jogar lixo na rua podem "ao menos mitigar os impactos de um desastre", e não "prevenir desastres naturais". Mitigar é reduzir ou amenizar os efeitos, não evitar a ocorrência do fenômeno natural em si.
- (B) Incorreta: O texto menciona que o Brasil não está entre os países mais suscetíveis a alguns desastres (furacões, vulcões, terremotos), mas imediatamente relativiza essa ideia, afirmando que "a aparência de lugar protegido... deve ser relativizada" e que o país sofre com inundações, deslizamentos e secas, que são catástrofes climáticas e geológicas.
- (C) Correta: O terceiro parágrafo afirma explicitamente: "Dois estudos feitos por pesquisadores brasileiros indicam que o risco de ocorrência desses três tipos de desastre [inundações bruscas, deslizamentos de terra e secas prolongadas] deverá aumentar até o final do século. Eles também sinalizam que novos pontos do território nacional deverão se transformar em áreas de risco significativo para esses mesmos problemas." Isso corrobora diretamente a alternativa.
- (D) Incorreta: O texto diz que os efeitos dos fenômenos podem ser "atenuados" por políticas públicas (parágrafo 2) e que impactos e estragos podem ser "evitados" com alterações de práticas humanas (parágrafo 4). No entanto, não afirma que as políticas públicas podem "evitar a ocorrência" dos cataclismos naturais em si (como a chuva forte que causa a inundação ou o período de seca), mas sim gerenciar ou reduzir seus danos. A armadilha está em confundir "evitar impactos/danos" com "evitar a ocorrência do fenômeno natural".
- (E) Incorreta: O texto menciona "moradias precárias em lugares inadequados, perto de encostas" como um fator de risco, e que "alterações de práticas humanas ligadas à ocupação do solo" poderiam evitar impactos. Contudo, não fala explicitamente em "remoção da população" como medida "imprescindível", nem que isso evitaria "abalos geológicos" (o texto se refere a deslizamentos de terra, que são um tipo de abalo, mas o foco é nos impactos humanos, não na prevenção do evento geológico em si). A alternativa extrapola e distorce as informações do texto.
Fonte: FCC TRT-11 2017 Conhecimentos Comuns (Técnicos TRT11) (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.