Questão nº 6

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRF5 2017 (nº 6)

FCC2017Comum Analista TRF5 2017Língua Portuguesa
Gabarito: Aver comentário ↓

Juízo de valor

Um juízo de valor tem como origem uma percepção individual: alguém julga algo ou outra pessoa tomando por base o que considera um critério ético ou moral. Isso significa que diversos indivíduos podem emitir diversos juízos de valor para uma mesma situação, ou julgar de diversos modos uma mesma pessoa. Tais controvérsias são perfeitamente naturais; o difícil é aceitá-las com naturalidade para, em seguida, discuti-las. Tendemos a fazer do nosso juízo de valor um atestado de realidade: o que dissermos que é, será o que dissermos. Em vez da naturalidade da controvérsia a ser ponderada, optamos pela prepotência de um juízo de valor dado como exclusivo.

Com o fenômeno da expansão das redes sociais, abertas a todas as manifestações, juízos de valor digladiam-se o tempo todo, na maior parte dos casos sem proveito algum. Sendo imperativa, a opinião pessoal esquiva-se da controvérsia, pula a etapa da mediação reflexiva e instala-se no posto da convicção inabalável. À falta de argumentos, contrapõem-se as paixões do ódio, do ressentimento, da calúnia, num triste espetáculo público de intolerância.

Constituem uma extraordinária orientação para nós todos estas palavras do grande historiador Eric Hobsbawm: “A primeira tarefa do historiador não é julgar, mas compreender, mesmo o que temos mais dificuldade para compreender. O que dificulta a compreensão, no entanto, não são apenas as nossas convicções apaixonadas, mas também a experiência histórica que as formou.” A advertência de Hobsbawm não deve interessar apenas aos historiadores, mas a todo aquele que deseja dar consistência e legitimidade ao juízo de valor que venha a emitir.

(Péricles Augusto da Costa, inédito)


Em vez da naturalidade da controvérsia a ser ponderada, optamos pela prepotência de um juízo de valor dado como exclusivo.

Uma nova e correta redação da frase acima, em que se preservem o sentido e a correção, poderá ser:

A prepotência de um juízo de valor dado como exclusivo

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

O conceito-chave aqui é a equivalência de sentido, ou seja, reescrever uma frase de forma que ela transmita a mesma informação e intenção da original, mantendo a correção gramatical.

  • (A) Correta: A alternativa reestrutura a frase mantendo o sentido de escolha e contraste. "A prepotência de um juízo de valor dado como exclusivo" é o que "torna-se uma opção nossa", que corresponde a "optamos pela prepotência". A expressão "em lugar da análise da natural controvérsia" substitui "Em vez da naturalidade da controvérsia a ser ponderada", preservando a ideia de que a análise ou ponderação da controvérsia é a alternativa que não foi escolhida.
  • (B) Incorreta: A expressão "sendo-nos preferível" altera sutilmente o sentido. A frase original diz que optamos pela prepotência, não necessariamente que ela nos é preferível de forma explícita, mas sim que a escolhemos em detrimento de outra coisa. Além disso, "controvérsia admitida" é menos preciso que "a ser ponderada".
  • (C) Incorreta: Similar à B, "quando a preferimos" muda a nuance da escolha. A frase original indica uma opção feita, não uma preferência condicional ("quando a preferimos").
  • (D) Incorreta: A expressão "indo ao encontro da controvérsia" contradiz o sentido original de "em vez da naturalidade da controvérsia". A frase original sugere que a prepotência é escolhida em vez de lidar com a controvérsia, não "indo ao encontro" dela. Além disso, "nem sempre aceita como natural" altera a ideia de que a controvérsia é natural e deve ser ponderada.
  • (E) Incorreta: O advérbio "sobretudo" adiciona uma ênfase que não existe na frase original. A condição "quando nos abstemos de considerar natural a controvérsia" também não reflete com exatidão "Em vez da naturalidade da controvérsia a ser ponderada", que se refere à falta de ponderação sobre algo que é natural, e não à abstenção de considerar algo natural.

Fonte: FCC TRF5 2017 Conhecimentos Comuns (Analista TRF5 2017) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

Continue estudando

Estudar é izi

Pratique milhares de questões como esta, de graça, com explicação e gamificação no Quizinho.

Estudar de graça no Quizinho