Questão nº 1
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRF5 2017 (nº 1)
Juízo de valor
Um juízo de valor tem como origem uma percepção individual: alguém julga algo ou outra pessoa tomando por base o que considera um critério ético ou moral. Isso significa que diversos indivíduos podem emitir diversos juízos de valor para uma mesma situação, ou julgar de diversos modos uma mesma pessoa. Tais controvérsias são perfeitamente naturais; o difícil é aceitá-las com naturalidade para, em seguida, discuti-las. Tendemos a fazer do nosso juízo de valor um atestado de realidade: o que dissermos que é, será o que dissermos. Em vez da naturalidade da controvérsia a ser ponderada, optamos pela prepotência de um juízo de valor dado como exclusivo.
Com o fenômeno da expansão das redes sociais, abertas a todas as manifestações, juízos de valor digladiam-se o tempo todo, na maior parte dos casos sem proveito algum. Sendo imperativa, a opinião pessoal esquiva-se da controvérsia, pula a etapa da mediação reflexiva e instala-se no posto da convicção inabalável. À falta de argumentos, contrapõem-se as paixões do ódio, do ressentimento, da calúnia, num triste espetáculo público de intolerância.
Constituem uma extraordinária orientação para nós todos estas palavras do grande historiador Eric Hobsbawm: “A primeira tarefa do historiador não é julgar, mas compreender, mesmo o que temos mais dificuldade para compreender. O que dificulta a compreensão, no entanto, não são apenas as nossas convicções apaixonadas, mas também a experiência histórica que as formou.” A advertência de Hobsbawm não deve interessar apenas aos historiadores, mas a todo aquele que deseja dar consistência e legitimidade ao juízo de valor que venha a emitir.
(Péricles Augusto da Costa, inédito)
Os juízos de valor são considerados naturalmente controversos pelo fato de que
- Asimulam uma convicção quando apenas presumem o que seja um atributo da realidade.
- Bexpressam a prepotência de quem se nega a discuti-los levando em conta a argumentação alheia.
- Cexprimem pontos de vista originários de percepções essencialmente subjetivas. (alternativa correta)
- Dcorrespondem a verdades absolutas que a realidade mesma dos fatos não é suficiente para comprovar.
- Etraduzem percepções equivocadas do que se considera a verdade autêntica de um fato.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
Um juízo de valor é uma opinião ou avaliação que alguém faz sobre algo ou alguém, baseada em suas próprias crenças, critérios éticos ou morais, e não em fatos objetivos.
- (A) Incorreta: O texto menciona que "Tendemos a fazer do nosso juízo de valor um atestado de realidade", o que descreve uma consequência ou tendência de como as pessoas lidam com seus juízos, e não a razão fundamental pela qual eles são naturalmente controversos em sua origem.
- (B) Incorreta: Esta alternativa descreve a armadilha da banca. O texto realmente aborda a "prepotência" e a recusa em discutir ("optamos pela prepotência", "opinião pessoal esquiva-se da controvérsia"), mas isso é uma atitude ou comportamento que surge após a existência da controvérsia. A pergunta busca o motivo pelo qual os juízos de valor são naturalmente controversos em sua essência, e não como as pessoas reagem a essa controvérsia.
- (C) Correta: O texto afirma claramente que "Um juízo de valor tem como origem uma percepção individual" e que "diversos indivíduos podem emitir diversos juízos de valor para uma mesma situação... Tais controvérsias são perfeitamente naturais". A "percepção individual" é sinônimo de "percepções essencialmente subjetivas", sendo a causa direta da natural controvérsia.
- (D) Incorreta: Os juízos de valor, por serem subjetivos, não correspondem a verdades absolutas. O texto sugere o oposto, criticando a tendência de tratá-los como tal ("fazer do nosso juízo de valor um atestado de realidade").
- (E) Incorreta: O texto não qualifica as percepções como "equivocadas" (erradas), mas sim como "individuais" e diversas. A controvérsia surge da multiplicidade de percepções, não necessariamente de seu erro inerente.
Fonte: FCC TRF5 2017 Conhecimentos Comuns (Analista TRF5 2017) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.