Questão nº 4

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRF5 2017 (nº 4)

FCC2017Comum Analista TRF5 2017Língua Portuguesa
Gabarito: Ever comentário ↓

Juízo de valor

Um juízo de valor tem como origem uma percepção individual: alguém julga algo ou outra pessoa tomando por base o que considera um critério ético ou moral. Isso significa que diversos indivíduos podem emitir diversos juízos de valor para uma mesma situação, ou julgar de diversos modos uma mesma pessoa. Tais controvérsias são perfeitamente naturais; o difícil é aceitá-las com naturalidade para, em seguida, discuti-las. Tendemos a fazer do nosso juízo de valor um atestado de realidade: o que dissermos que é, será o que dissermos. Em vez da naturalidade da controvérsia a ser ponderada, optamos pela prepotência de um juízo de valor dado como exclusivo.

Com o fenômeno da expansão das redes sociais, abertas a todas as manifestações, juízos de valor digladiam-se o tempo todo, na maior parte dos casos sem proveito algum. Sendo imperativa, a opinião pessoal esquiva-se da controvérsia, pula a etapa da mediação reflexiva e instala-se no posto da convicção inabalável. À falta de argumentos, contrapõem-se as paixões do ódio, do ressentimento, da calúnia, num triste espetáculo público de intolerância.

Constituem uma extraordinária orientação para nós todos estas palavras do grande historiador Eric Hobsbawm: “A primeira tarefa do historiador não é julgar, mas compreender, mesmo o que temos mais dificuldade para compreender. O que dificulta a compreensão, no entanto, não são apenas as nossas convicções apaixonadas, mas também a experiência histórica que as formou.” A advertência de Hobsbawm não deve interessar apenas aos historiadores, mas a todo aquele que deseja dar consistência e legitimidade ao juízo de valor que venha a emitir.

(Péricles Augusto da Costa, inédito)


As formas verbais atendem às normas de concordância e à adequada articulação entre tempos e modos na frase:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

A correlação verbal é a forma como os tempos e modos dos verbos se combinam numa frase para que a ideia seja clara e gramaticalmente correta. A concordância verbal é quando o verbo concorda em número (singular/plural) e pessoa com o seu sujeito.

  • A) Incorreta: Há uma inconsistência temporal. "Não deveriam caber... tomar decisões" sugere uma ação hipotética presente/futura, enquanto "que se baseavam" indica uma ação passada habitual. A correlação ideal seria "que se baseiam" (se a base é atual) ou "que se baseassem" (se a base é hipotética no passado, acompanhando o "deveriam").
  • B) Incorreta: A correlação entre o imperfeito do subjuntivo ("Acatassem") e o futuro do presente ("haverá") está incorreta. Para uma condição hipotética no passado/presente ("se acatassem"), a consequência deveria estar no futuro do pretérito ("haveria").
  • C) Incorreta: Erro de concordância verbal: o sujeito "A obsessão" (singular) exige o verbo "faz" (singular), e não "fazem" (plural). Além disso, a correlação entre "fazem" (presente) e "viéssemos" (imperfeito do subjuntivo) é inadequada; o correto seria "faz com que venhamos".
  • D) Incorreta: A construção "se pretendam que" é gramaticalmente inadequada. O verbo "pretender" com o "se" apassivador ou indeterminador do sujeito, seguido de oração subordinada, geralmente fica no singular ("se pretenda que").
  • E) Correta: A frase apresenta concordância e correlação verbais adequadas. "Caberá" (futuro do presente) está em concordância com "todo o empenho" e "venham" (presente do subjuntivo) está corretamente empregado após a locução "antes que", que exige o subjuntivo, e em correlação com o futuro do presente.

Fonte: FCC TRF5 2017 Conhecimentos Comuns (Analista TRF5 2017) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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