Questão nº 9
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRF4 2019 (nº 9)
Atenção: Para responder às questões de números 7 a 12, baseie-se no texto abaixo.
A era das compras
A economia capitalista moderna deve aumentar a produção constantemente, se quiser sobreviver, como um tubarão que deve nadar para não morrer por asfixia. Mas a maioria das pessoas, ao longo da história, viveu em condições de escassez. A fragilidade era, portanto, sua palavra de ordem. A ética austera dos puritanos e a dos espartanos são apenas dois exemplos famosos. Uma pessoa boa evitava luxos e nunca desperdiçava comida. Somente reis e nobres se permitiam renunciar publicamente a tais valores e ostentar suas riquezas.
O consumismo vê o consumo de cada vez mais produtos e serviços como algo positivo. Encoraja as pessoas a cuidarem de si mesmas, a se mimarem e até a se matarem pouco a pouco por meio do consumo exagerado. A frugalidade é uma doença a ser curada. Não é preciso olhar muito longe para ver a ética do consumo em ação – basta ler a parte de trás de uma caixa de cereal: “Para uma refeição saborosa no meio do dia, perfeita para um estilo de vida saudável. Um verdadeiro deleite com o sabor maravilhoso do “quero mais!”.
Durante a maior parte da história, as pessoas teriam sido repelidas, e não atraídas, por esse texto. Elas o teriam considerado egoísta, indecente e moralmente corrupto. O consumismo trabalhou duro, com a ajuda da psicologia e da vontade popular, para convencer as pessoas de que a indulgência com os excessos é algo bom, ao passo que a frugalidade significa auto-opressão.
(Adaptado de: HARARI, Yuval Noah. Sapiens – uma breve história da humanidade. 38. ed. Porto Alegre: L&PM, 2018, p. 357-358)
Ao retratar o consumismo moderno no âmbito da vida social e dos valores da pessoa, o autor
Este texto de apoio vale também pra questão nº 7, questão nº 8, questão nº 10, questão nº 11, questão nº 12.
- Acoloca-se em posição de isenção, uma vez que não toma qualquer aspecto moral ou ético como referência válida para sua análise.
- Binclina-se para aceitar a fatalidade histórica do consumo desenfreado, deixando ver que reconhece as inequívocas vantagens desse fenômeno.
- Crecrimina a antiga austeridade regida pela escassez, encontrando na realidade do mercado moderno um modelo a ser mantido.
- Dcontrapõe posições historicamente divergentes quanto ao consumo de produtos e serviços, apontando traços essenciais dessa divergência. (alternativa correta)
- Edesconsidera o peso da vontade popular na dinâmica do consumo que o mercado moderno estabeleceu como um caminho inflexível.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
O posicionamento do autor é a forma como ele se coloca diante do assunto, revelando sua perspectiva, sua análise ou sua opinião sobre o tema.
- (A) Incorreta: O autor não se coloca em posição de isenção total, pois ao descrever como as pessoas do passado teriam visto o consumo moderno como "egoísta, indecente e moralmente corrupto", ele utiliza referências morais e éticas para ilustrar a divergência de valores, mesmo que não esteja emitindo um juízo pessoal direto.
- (B) Incorreta: O texto descreve o consumo desenfreado como uma necessidade do capitalismo ("tubarão que deve nadar para não morrer"), mas não reconhece "inequívocas vantagens" nem se inclina a aceitar essa fatalidade de forma positiva. Pelo contrário, ele aponta para os excessos ("se matarem pouco a pouco por meio do consumo exagerado").
- (C) Incorreta: O autor não recrimina a antiga austeridade; ele a apresenta como a norma histórica e a contrasta com o consumismo moderno. Ele também não sugere que o mercado moderno seja um "modelo a ser mantido"; ele o descreve de forma analítica, destacando seus aspectos negativos.
- (D) Correta: O texto é construído sobre a comparação entre a ética da escassez e da frugalidade do passado e a ética do consumo e da indulgência do presente, apontando as diferenças fundamentais nos valores e comportamentos relacionados a produtos e serviços.
- (E) Incorreta: O autor explicitamente menciona que o consumismo "trabalhou duro, com a ajuda da psicologia e da vontade popular", o que demonstra que ele considera o peso da vontade popular na dinâmica do consumo, e não o desconsidera. A armadilha aqui é que, embora o autor descreva o consumo como um "caminho inflexível" para o capitalismo, ele reconhece que a "vontade popular" foi um fator para que isso acontecesse.
Fonte: FCC TRF4 2019 Analista Judiciário - Área Judiciária - Especialidade Oficial de Justiça Avaliador Federal (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.