Questão nº 11

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRF4 2019 (nº 11)

FCC2019Analista Judiciário - Área Judiciária - Especialidade Oficial de Justiça Avaliador FederalLíngua Portuguesa
Gabarito: Ever comentário ↓

Atenção: Para responder às questões de números 7 a 12, baseie-se no texto abaixo.

A era das compras

A economia capitalista moderna deve aumentar a produção constantemente, se quiser sobreviver, como um tubarão que deve nadar para não morrer por asfixia. Mas a maioria das pessoas, ao longo da história, viveu em condições de escassez. A fragilidade era, portanto, sua palavra de ordem. A ética austera dos puritanos e a dos espartanos são apenas dois exemplos famosos. Uma pessoa boa evitava luxos e nunca desperdiçava comida. Somente reis e nobres se permitiam renunciar publicamente a tais valores e ostentar suas riquezas.

O consumismo vê o consumo de cada vez mais produtos e serviços como algo positivo. Encoraja as pessoas a cuidarem de si mesmas, a se mimarem e até a se matarem pouco a pouco por meio do consumo exagerado. A frugalidade é uma doença a ser curada. Não é preciso olhar muito longe para ver a ética do consumo em ação – basta ler a parte de trás de uma caixa de cereal: “Para uma refeição saborosa no meio do dia, perfeita para um estilo de vida saudável. Um verdadeiro deleite com o sabor maravilhoso do “quero mais!”.

Durante a maior parte da história, as pessoas teriam sido repelidas, e não atraídas, por esse texto. Elas o teriam considerado egoísta, indecente e moralmente corrupto. O consumismo trabalhou duro, com a ajuda da psicologia e da vontade popular, para convencer as pessoas de que a indulgência com os excessos é algo bom, ao passo que a frugalidade significa auto-opressão.

(Adaptado de: HARARI, Yuval Noah. Sapiens – uma breve história da humanidade. 38. ed. Porto Alegre: L&PM, 2018, p. 357-358)


Há adequada correlação entre os tempos e os modos verbais empregados na frase:

Este texto de apoio vale também pra questão nº 7, questão nº 8, questão nº 9, questão nº 10, questão nº 12.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

A correlação verbal (ou concordância temporal) é a relação lógica e gramatical entre os tempos e modos dos verbos em uma frase ou período, garantindo que as ações expressas se encaixem cronologicamente e semanticamente.

  • A) Incorreta: A frase "Há quem queira que a economia capitalista deva aumentar sua produção para que sobrevivesse de modo mais consistente" apresenta inadequação. "Queira" (presente do subjuntivo) e "deva aumentar" (presente do subjuntivo) indicam uma ação presente ou futura. No entanto, "sobrevivesse" (pretérito imperfeito do subjuntivo) indica uma condição ou desejo passado ou irreal. Para haver correlação, o correto seria "para que sobreviva" (presente do subjuntivo) ou "para que pudesse sobreviver" (futuro do pretérito).
  • B) Incorreta: A frase "Caso retornássemos às antigas situações de escassez em que viviam os antigos, talvez venhamos a sentir saudade do presente consumismo" tem uma quebra de correlação. "Caso retornássemos" (pretérito imperfeito do subjuntivo) expressa uma hipótese no presente ou futuro. A consequência esperada para essa hipótese seria no futuro do pretérito ("sentiríamos" ou "sentíssemos"). O uso de "venhamos" (presente do subjuntivo) quebra essa correlação padrão.
  • C) Incorreta: A frase "A menos que venha a encorajar as pessoas a um consumismo desenfreado, a propaganda poderia não ver sentido na linguagem de que se vale" apresenta uma correlação menos comum, embora não estritamente incorreta em alguns contextos. "A menos que venha" (presente do subjuntivo, com valor futuro) e "poderia não ver" (futuro do pretérito). Embora a combinação de presente do subjuntivo com futuro do pretérito possa ocorrer para expressar uma possibilidade, a correlação mais direta e "adequada" (conforme a questão pede) seria com o futuro do presente ("não verá") ou, se a condição fosse no pretérito imperfeito do subjuntivo ("viesse"), a consequência seria no futuro do pretérito ("poderia não ver").
  • D) Incorreta: A frase "Quem esperasse encontrar informações úteis e objetivas numa caixa de cereal terá se decepcionado com a linguagem apenas persuasiva" possui uma correlação inadequada. "Quem esperasse" (pretérito imperfeito do subjuntivo) expressa uma hipótese ou desejo no passado ou uma condição irreal. A consequência para essa condição deveria ser no futuro do pretérito ("se decepcionaria") ou no pretérito mais-que-perfeito composto ("teria se decepcionado"). "Terá se decepcionado" (futuro do presente composto) não se correlaciona adequadamente com "esperasse".
  • (E) Correta: A frase "Na hipótese de virem a ser contrariadas em sua inclinação para o consumo, muitas pessoas não hesitariam em maldizer seus críticos" apresenta uma correlação verbal adequada. A construção "Na hipótese de + infinitivo pessoal" ("virem") expressa uma condição ou hipótese futura, funcionando de forma similar a uma oração condicional com o pretérito imperfeito do subjuntivo (ex: "Se elas viessem a ser contrariadas"). A consequência dessa condição é expressa corretamente pelo futuro do pretérito ("não hesitariam"). Esta é uma correlação padrão e gramaticalmente correta no português.

Fonte: FCC TRF4 2019 Analista Judiciário - Área Judiciária - Especialidade Oficial de Justiça Avaliador Federal (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

Continue estudando

Estudar é izi

Pratique milhares de questões como esta, de graça, com explicação e gamificação no Quizinho.

Estudar de graça no Quizinho