Questão nº 6

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRF4 2019 (nº 6)

FCC2019Analista Judiciário - Área JudiciáriaLíngua Portuguesa
Gabarito: Cver comentário ↓

Educação familiar

A família cumpre cada vez menos a sua função de instituição de aprendizagem e educação. Ouve-se dizer hoje, repetidamente, o mesmo a respeito dos filhos de famílias das camadas superiores da sociedade, “nada trouxeram de casa”. Os professores universitários comprovam até que ponto é escassa a formação substancial, realmente experimentada pelos jovens, que possa ser considerada como pré-adquirida.

Mas isso depende do fato de que a formação cultural perdeu a sua utilidade prática. Mesmo que a família ainda se esforçasse por transmiti-la, a tentativa estaria condenada ao fracasso porque, com a certeza dos bens familiares hereditários, esvaziaram-se alguns motivos de insegurança e sentimento de desproteção. Por parte dos filhos, a tendência atual consiste em furtarem-se a essa educação, que se apresenta como uma introversão inoportuna, e em orientarem-se, de preferência, pelas exigências da chamada “vida real”.

O momento específico da renúncia pessoal, que hoje mutila os indivíduos, impedindo a individuação, não é a proibição familiar, ou não o é inteiramente, mas a frieza, a indiferença tanto mais penetrante quanto mais desagregada e vulnerável a família se torna.

(Adaptado de: HORKHEIMER, Max, e ADORNO, Theodor (orgs.). Temas básicos da Sociologia. São Paulo: Cultrix, 1973, p. 143)


Numa nova redação de um segmento do texto, mantém-se a adequada correlação entre tempos e modos verbais em:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

A correlação verbo-temporal e modal é a harmonia entre os tempos e modos dos verbos em uma frase, garantindo que a sequência das ações e as intenções (certeza, possibilidade, condição) sejam expressas de forma lógica e gramaticalmente correta.

(A) Incorreta: A mudança de "comprovam até que ponto é" (Presente do Indicativo + Presente do Indicativo, indicando um fato) para "comprovariam até que ponto seja" (Futuro do Pretérito do Indicativo + Presente do Subjuntivo) altera o sentido de uma constatação para uma hipótese ou possibilidade, não mantendo a mesma correlação de sentido. A armadilha é que a correlação "Futuro do Pretérito + Subjuntivo" é gramaticalmente possível em outros contextos, mas aqui muda a natureza da afirmação.
(B) Incorreta: A alteração de "depende do fato de que perdeu" (Presente do Indicativo + Pretérito Perfeito do Indicativo, indicando um fato presente que se baseia em um fato passado concluído) para "dependerá do fato de que perdia" (Futuro do Presente do Indicativo + Pretérito Imperfeito do Indicativo) cria uma correlação inadequada. "Perdia" sugere uma ação habitual ou contínua no passado, que não se encaixa bem como um "fato" que determinará algo no futuro.
(C) Correta: O segmento original "Mesmo que a família ainda se esforçasse por transmiti-la, a tentativa estaria condenada ao fracasso" usa a correlação Pretérito Imperfeito do Subjuntivo ("se esforçasse") com o Futuro do Pretérito do Indicativo ("estaria"), indicando uma condição hipotética e sua consequência. A alternativa "Mesmo que a família venha a se esforçar por transmiti-la, a tentativa estará condenada ao fracasso" usa a correlação Futuro do Subjuntivo ("venha a se esforçar") com o Futuro do Presente do Indicativo ("estará"), que é outra estrutura condicional válida e que mantém a lógica de uma condição futura e sua consequência futura.
(D) Incorreta: A mudança de "consiste em furtarem-se" (Presente do Indicativo + Infinitivo Pessoal, indicando uma tendência atual e real) para "consistiria em que hão de se furtar" (Futuro do Pretérito do Indicativo + locução verbal de obrigação/futuro certo) quebra a correlação. "Consistiria" expressa uma hipótese, enquanto "hão de se furtar" expressa uma certeza ou obrigação futura, gerando um choque de modos e sentidos.
(E) Incorreta: A reescrita de "não é a proibição familiar, ou não o é inteiramente, mas a frieza..." (Presente do Indicativo, indicando fatos) para "não sendo a proibição familiar, ou não o fosse inteiramente, é a frieza..." mistura o gerúndio ("não sendo") com o Pretérito Imperfeito do Subjuntivo ("não o fosse") e o Presente do Indicativo ("é"), alterando drasticamente a estrutura e o sentido original de afirmação categórica para uma construção gramaticalmente confusa e semanticamente diferente.

Fonte: FCC TRF4 2019 Analista Judiciário - Área Judiciária (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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