Questão nº 9

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRE-PR 2017 (nº 9)

FCC2017Comum Técnico JudiciárioLíngua Portuguesa
Gabarito: Aver comentário ↓

Muitos duvidam da existência do amor. Muitos afirmam ser ele uma invenção da literatura. Outros, que se trata de uma projeção neurótica imaginária. Uma patologia da família das manias. Há quem suspeite de que seja uma doença da alma. Estão errados.

Quem conhece o amor sabe que ele habita entre nós. E sua presença nos faz sentir vivos. Por isso, o ressentimento é cego ao amor.

A falta de amor na vida produz um certo ceticismo em relação ao mundo. Ou pior: o sentimento de inexistência.

Um dos pecados maiores da inteligência é chegar à conclusão de que o amor é uma ficção. Muitas vezes, pessoas supostamente inteligentes consideram o amor algo ingênuo e pueril.

A desconfiança se acha a mais completa das virtudes morais ou cognitivas. A armadilha de quem desconfia sempre é que ele mesmo se sente inexistente para o mundo porque este é sempre visto com desprezo.

Outra suposta arma contra o amor é a hipocrisia. A hipótese de a hipocrisia ser a substância da moral pública parece que inviabiliza o amor por conta de sua cegueira para com esta hipocrisia mesma. É verdade: o amor não vê a hipocrisia. Søren Kierkegaard (1813-1855) diz que há um "abismo escancarado" entre eles.

O amor é concreto como o dia a dia. Engana-se quem considera o amor abstrato e fantasioso. Kierkegaard nos lembra que o amor só se conhece pelos frutos. Isso implica que não há propriamente uma percepção do amor que não seja prática. O gosto do amor é a confiança nas coisas que ele dá a quem o experimenta.


A respeito da pontuação do texto, afirma-se corretamente:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

O conceito-chave aqui é a vírgula, que possui diversas funções na Língua Portuguesa, como marcar a elipse verbal (omissão de um verbo subentendido) ou separar termos e orações. É fundamental saber quando a vírgula é obrigatória, facultativa ou proibida, especialmente na relação entre sujeito e predicado, e entre orações.

  • (A) Correta: A vírgula em "Outros, que se trata de uma projeção neurótica imaginária" assinala a elipse do verbo "afirmam" (ou um similar, como "dizem" ou "pensam"). A frase completa seria "Outros [afirmam], que se trata de uma projeção neurótica imaginária". A vírgula é usada para indicar essa omissão, separando o sujeito "Outros" da oração subordinada que complementa o verbo elíptico.
  • (B) Incorreta: A oração "que o amor só se conhece pelos frutos" é uma oração subordinada substantiva objetiva direta do verbo "lembra". Não se usa vírgula para separar a oração principal de uma oração subordinada substantiva que funciona como objeto direto, pois ela é um termo integrante da oração. Adicionar uma vírgula após "que" prejudicaria a correção gramatical.
  • (C) Incorreta: "A falta de amor na vida" é o sujeito da oração "A falta de amor na vida produz um certo ceticismo em relação ao mundo". Não se separa o sujeito do predicado por vírgula, a menos que haja um termo intercalado (o que não é o caso aqui). Inserir uma vírgula após "vida" seria um erro gramatical.
  • (D) Incorreta: O termo "porque" já introduz uma oração subordinada adverbial causal, explicando a razão. O uso de dois-pontos imediatamente após "porque" seria redundante e gramaticalmente inadequado, pois o próprio "porque" já estabelece a relação de causa/explicação.
  • (E) Incorreta: A oração "que não há propriamente uma percepção do amor que não seja prática" é uma oração subordinada substantiva objetiva direta do verbo "implica". A vírgula após "há" separaria o verbo de seu complemento ("uma percepção do amor") ou de seu sujeito (no caso de "há" impessoal). Isso seria um erro gramatical, pois não se separa o verbo de seu complemento ou sujeito por vírgula.

Fonte: FCC TRE-PR 2017 Conhecimentos Comuns (Técnico Judiciário) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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