Questão nº 8

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRE-PR 2017 (nº 8)

FCC2017Comum Técnico JudiciárioLíngua Portuguesa
Gabarito: Dver comentário ↓

Muitos duvidam da existência do amor. Muitos afirmam ser ele uma invenção da literatura. Outros, que se trata de uma projeção neurótica imaginária. Uma patologia da família das manias. Há quem suspeite de que seja uma doença da alma. Estão errados.

Quem conhece o amor sabe que ele habita entre nós. E sua presença nos faz sentir vivos. Por isso, o ressentimento é cego ao amor.

A falta de amor na vida produz um certo ceticismo em relação ao mundo. Ou pior: o sentimento de inexistência.

Um dos pecados maiores da inteligência é chegar à conclusão de que o amor é uma ficção. Muitas vezes, pessoas supostamente inteligentes consideram o amor algo ingênuo e pueril.

A desconfiança se acha a mais completa das virtudes morais ou cognitivas. A armadilha de quem desconfia sempre é que ele mesmo se sente inexistente para o mundo porque este é sempre visto com desprezo.

Outra suposta arma contra o amor é a hipocrisia. A hipótese de a hipocrisia ser a substância da moral pública parece que inviabiliza o amor por conta de sua cegueira para com esta hipocrisia mesma. É verdade: o amor não vê a hipocrisia. Søren Kierkegaard (1813-1855) diz que há um "abismo escancarado" entre eles.

O amor é concreto como o dia a dia. Engana-se quem considera o amor abstrato e fantasioso. Kierkegaard nos lembra que o amor só se conhece pelos frutos. Isso implica que não há propriamente uma percepção do amor que não seja prática. O gosto do amor é a confiança nas coisas que ele dá a quem o experimenta.


A substituição do elemento sublinhado pelo pronome correspondente, com os necessários ajustes no segmento, foi realizada de acordo com a norma padrão em:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa D

O uso correto dos pronomes o/a/os/as e lhe/lhes depende da função sintática do termo que será substituído: o/a/os/as substituem objetos diretos (sem preposição), enquanto lhe/lhes substituem objetos indiretos introduzidos pela preposição "a" ou complementos nominais também introduzidos pela preposição "a".

  • (A) Incorreta: O verbo "considerar" (no sentido de "julgar", "achar") é transitivo direto, ou seja, pede um objeto direto ("o amor"). O pronome correto para substituí-lo seria "o", resultando em "quem o considera abstrato". "Lhe" é usado para objetos indiretos.
  • (B) Incorreta: Assim como na alternativa A, "considerar" é transitivo direto. O pronome correto para substituir "o amor" seria "o". Com a ênclise e a terminação verbal em "-m", o pronome se transforma em "no": "consideram-no algo ingênuo e pueril".
  • (C) Incorreta: O verbo "inviabilizar" é transitivo direto, exigindo um objeto direto ("o amor"). O pronome correto para substituí-lo seria "o". Devido à presença do "que" (fator de próclise), a forma correta seria "parece que o inviabiliza".
  • (D) Correta: A expressão "cego ao amor" apresenta "ao amor" como um complemento nominal do adjetivo "cego", introduzido pela preposição "a". Nesses casos, o pronome "lhe" pode ser utilizado para substituir o complemento nominal. Portanto, "o ressentimento lhe é cego" está de acordo com a norma padrão. Armadilha: A pegadinha aqui é que muitos alunos associam "lhe" exclusivamente a objetos indiretos de verbos. No entanto, "lhe" também pode substituir complementos nominais introduzidos pela preposição "a", como ocorre com adjetivos que regem essa preposição (ex: "obediente ao pai" -> "obediente lhe").
  • (E) Incorreta: O verbo "ver" é transitivo direto, pedindo um objeto direto ("a hipocrisia"). O pronome correto para substituí-lo seria "a". A forma correta seria "o amor não a vê".

Fonte: FCC TRE-PR 2017 Conhecimentos Comuns (Técnico Judiciário) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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