Questão nº 7
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRE-PR 2017 (nº 7)
Muitos duvidam da existência do amor. Muitos afirmam ser ele uma invenção da literatura. Outros, que se trata de uma projeção neurótica imaginária. Uma patologia da família das manias. Há quem suspeite de que seja uma doença da alma. Estão errados.
Quem conhece o amor sabe que ele habita entre nós. E sua presença nos faz sentir vivos. Por isso, o ressentimento é cego ao amor.
A falta de amor na vida produz um certo ceticismo em relação ao mundo. Ou pior: o sentimento de inexistência.
Um dos pecados maiores da inteligência é chegar à conclusão de que o amor é uma ficção. Muitas vezes, pessoas supostamente inteligentes consideram o amor algo ingênuo e pueril.
A desconfiança se acha a mais completa das virtudes morais ou cognitivas. A armadilha de quem desconfia sempre é que ele mesmo se sente inexistente para o mundo porque este é sempre visto com desprezo.
Outra suposta arma contra o amor é a hipocrisia. A hipótese de a hipocrisia ser a substância da moral pública parece que inviabiliza o amor por conta de sua cegueira para com esta hipocrisia mesma. É verdade: o amor não vê a hipocrisia. Søren Kierkegaard (1813-1855) diz que há um "abismo escancarado" entre eles.
O amor é concreto como o dia a dia. Engana-se quem considera o amor abstrato e fantasioso. Kierkegaard nos lembra que o amor só se conhece pelos frutos. Isso implica que não há propriamente uma percepção do amor que não seja prática. O gosto do amor é a confiança nas coisas que ele dá a quem o experimenta.
Na opinião do autor do texto, o amor deve ser considerado como
- Aum sentimento que, ainda que ilusório, desafia a falsidade social.
- Bum artifício aprazível criado pela imaginação do amante.
- Calgo comparável a um desvio doentio àquilo que é considerado normal.
- Dalgo concreto, cujos desdobramentos podem ser percebidos na realidade. (alternativa correta)
- Eum estado de alheamento, relacionado à imaturidade de quem ama.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
Para interpretar a opinião do autor, devemos buscar as afirmações diretas dele sobre o tema e as ideias que ele defende ou refuta ao longo do texto.
- A) Incorreta: O autor refuta explicitamente a ideia de que o amor seja "ilusório", "invenção", "projeção imaginária" ou "ficção", afirmando que "Estão errados" aqueles que pensam assim e que "O amor é concreto".
- B) Incorreta: O texto nega que o amor seja um "artifício criado pela imaginação", classificando essa visão como um "pecado maior da inteligência" e afirmando que "Engana-se quem considera o amor abstrato e fantasioso".
- C) Incorreta: O autor discorda veementemente de que o amor seja um "desvio doentio", mencionando e refutando as ideias de que seria uma "patologia da família das manias" ou uma "doença da alma" com a frase "Estão errados".
- D) Correta: O autor afirma diretamente que "O amor é concreto como o dia a dia" e que "só se conhece pelos frutos", implicando que sua percepção é "prática" e que ele "dá" coisas a quem o experimenta, ou seja, seus desdobramentos são percebidos na realidade.
- E) Incorreta: O texto não sugere que o amor seja um "estado de alheamento" ou "imaturidade". Pelo contrário, critica quem o considera "ingênuo e pueril", mostrando que o autor o vê como algo real e com efeitos práticos na vida.
Fonte: FCC TRE-PR 2017 Conhecimentos Comuns (Técnico Judiciário) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.