Questão nº 11

Questão de Língua Portuguesa · FCC TJ-CE 2022 (nº 11)

FCC2022Oficial de JustiçaLíngua Portuguesa
Gabarito: Bver comentário ↓

Atenção: Para responder às questões de números 7 a 12, baseie-se no texto abaixo.

Sombra

Sombra, explicava a sabida boneca Emília, de Monteiro Lobato, é ar preto. Criança, não me tranquilizei: do escuro só podiam surgir fantasmas, apagar a luz era dar uma oportunidade aos duendes e demônios do quarto. Só a luz possuía o dom confortante de tocar deste mundo os habitantes do outro.

No ginásio, estudante de Física, não me tranquilizei. Sombra é o resultado da interposição de um corpo opaco entre o observador e o corpo luminoso, sinal de que muitos corpos luminosos deixam de banhar-nos com sua luz desejável, sinal de que nos faltam felicidades, de que muitos sóis necessários se interromperam em sua viagem até nossos olhos.

Não perguntar o que um homem possui, mas o que lhe falta. Isso é sombra. Não indagar de seus sentimentos, mas saber o que ele não teve a ocasião de sentir. Sombra. Não se importar com o que ele viveu, mas prestar atenção à vida que não chegou até ele, que se interrompeu de encontro a circunstâncias invisíveis, imprevisíveis. A vida é um ofício de luz e trevas. Enquadrá-lo em sua constelação particular, saber se nasceu muito cedo para receber a luz da estrela ou se chegou ao mundo quando de há muito se extinguiu o astro que deveria iluminá-lo.

Ontem vi uma menininha descobrindo sua sombra. Ela parava de espanto, olhava com os olhos arregalados, tentava agarrar a sombra, andava mais um pouco, virava de repente para ver se o seu fantasma ainda a seguia. Era a representação dramática de um poema infantil de Robert Stevenson, no qual uma menininha vai e vem, rodeando, saltando, gesticulando com seus bracinhos diante de sua sombra, implorando por uma explicação impossível, dançando um balé que será a sua própria vida.

(Adaptado de: CAMPOS, Paulo Mendes. Os sabiás da crônica. Antologia. Org. Augusto Massi. Belo Horizonte: Autêntica, 2021, p. 211-212)


Está plenamente adequada a pontuação da seguinte frase:

Este texto de apoio vale também pra questão nº 7, questão nº 8, questão nº 9, questão nº 10, questão nº 12.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

O conceito-chave para a pontuação adequada é que a vírgula indica pausas e separa elementos na frase, mas NÃO deve separar o sujeito do verbo, o verbo de seus complementos (objeto direto, objeto indireto) ou o nome de seus adjuntos/complementos essenciais.

  • (A) Incorreta: A vírgula após "teme" separa o verbo de seu objeto direto ("as sombras do escuro"). A vírgula após "intempestivo" separa um adjunto adverbial do verbo que ele modifica ("nos envolvem").
  • (B) Correta: A vírgula isola o adjunto adverbial de modo "de modo resoluto", que está deslocado entre o verbo e seu complemento. A vírgula após "luz" isola uma oração reduzida de particípio com valor explicativo ("entendida esta como instância de esclarecimento da vida").
  • (C) Incorreta: A vírgula após "interessante" separa a oração principal da oração subordinada substantiva ("que o autor estampasse..."). A vírgula após "estampasse" separa o verbo de seu objeto direto ("os versos infantis"). A vírgula após "infantis" separa o nome de seu adjunto adnominal ("do poeta Robert Stevenson").
  • (D) Incorreta: A vírgula após "sombra" separa o verbo "demonstraria" de seu objeto direto "receios semelhantes". A vírgula após "semelhantes" separa o adjetivo de seu complemento nominal ("aos que já assinalara o cronista").
  • (E) Incorreta: A vírgula após "seja" separa o sujeito ("Nenhuma aula de Física por mais clara que seja") do verbo ("consegue"). A vírgula após "alguém" separa o verbo "afastar" de seu objeto direto "o temor". A vírgula após "deriva" separa o verbo de seu complemento ("das sombras"). A armadilha aqui é a tendência de pontuar onde há uma pausa natural na fala, mas que gramaticalmente é uma separação indevida de termos essenciais da oração.

Fonte: FCC TJ-CE 2022 Oficial de Justiça (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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