Questão nº 39

Questão de Contabilidade · FCC SEFAZ-SC 2021 (nº 39)

FCC2021Analista da Receita Estadual IVContabilidade
Gabarito: Cver comentário ↓

A Cia. Invisível possuía, em 31/12/2019, um ativo Intangível (Marca) com vida útil indefinida, cujo valor contábil era R$ 2.100.000,00, composto dos seguintes valores:

  • Custo de aquisição .................................................................................................... R$ 2.500.000,00
  • Perda por desvalorização (reconhecida em 2019) ..................................................... R$ 400.000,00

Em dezembro de 2020, a Cia. realizou novamente o Teste de Recuperabilidade do Ativo (Teste de impairment) e obteve as seguintes informações:

  • Valor em uso ............................................................................................................. R$ 1.900.000,00
  • Valor justo líquido das despesas de venda ................................................................ R$ 2.600.000,00

Com base nestas informações e sabendo que as evidências indicaram que a vida útil desse ativo continua indefinida, a Cia. Invisível, em dezembro de 2020,

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

Quando um ativo (como uma marca) perde valor, a empresa registra uma perda por desvalorização. Se, em um período posterior, esse ativo recupera valor, a empresa pode registrar um ganho por reversão de desvalorização, mas há um limite: o valor do ativo não pode ultrapassar seu custo original (ou custo amortizado, se houvesse amortização).

Vamos analisar a situação:

  1. Valor Contábil em 31/12/2019:

    • Custo de aquisição: R$ 2.500.000,00
    • Perda por desvalorização anterior: R$ 400.000,00
    • Valor Contábil Líquido: R$ 2.500.000,00 - R$ 400.000,00 = R$ 2.100.000,00.
  2. Teste de Recuperabilidade em Dezembro de 2020:

    • O Valor Contábil atual do ativo (antes do teste de 2020) é R$ 2.100.000,00 (não há amortização para ativo com vida útil indefinida).
    • Valor Recuperável é o maior entre:
      • Valor em uso: R$ 1.900.000,00
      • Valor justo líquido das despesas de venda: R$ 2.600.000,00
    • Portanto, o Valor Recuperável é R$ 2.600.000,00.
  3. Comparação e Cálculo da Reversão:

    • Valor Recuperável (R$ 2.600.000,00) é maior que o Valor Contábil atual (R$ 2.100.000,00). Isso indica uma reversão de perda por desvalorização.
    • O ganho potencial seria a diferença: R$ 2.600.000,00 - R$ 2.100.000,00 = R$ 500.000,00.
    • Regra do Limite: O valor contábil do ativo, após a reversão, não pode exceder o valor contábil que teria sido determinado se nenhuma perda por desvalorização tivesse sido reconhecida anteriormente. Como a vida útil é indefinida, não há amortização, então o limite é o custo de aquisição original.
    • Custo de aquisição original = R$ 2.500.000,00.
    • O novo valor contábil do ativo não pode ultrapassar R$ 2.500.000,00.
    • O ganho a ser reconhecido é a diferença entre o valor contábil máximo permitido (R$ 2.500.000,00) e o valor contábil atual (R$ 2.100.000,00).
    • Ganho = R$ 2.500.000,00 - R$ 2.100.000,00 = R$ 400.000,00.
    • Este ganho de R$ 400.000,00 corresponde exatamente à perda por desvalorização reconhecida em 2019.

(A) Incorreta: Houve uma recuperação de valor significativa, indicando a necessidade de um registro contábil.
(B) Incorreta: O Valor Recuperável (R$ 2.600.000,00) é maior que o Valor Contábil (R$ 2.100.000,00), o que indica um ganho (reversão de perda), e não uma nova perda por desvalorização.
(C) Correta: A empresa reconheceu um ganho por reversão de perda por desvalorização no valor de R$ 400.000,00. O Valor Recuperável (R$ 2.600.000,00) é maior que o Valor Contábil (R$ 2.100.000,00), indicando uma reversão. No entanto, o valor do ativo após a reversão não pode exceder seu custo original de R$ 2.500.000,00. Assim, o ganho é limitado a R$ 2.500.000,00 (limite) - R$ 2.100.000,00 (valor atual) = R$ 400.000,00.
(D) Incorreta: A armadilha aqui é calcular a diferença entre o Valor Recuperável (R$ 2.600.000,00) e o Valor Contábil atual (R$ 2.100.000,00), que seria R$ 500.000,00. Contudo, a norma contábil estabelece que o valor contábil do ativo após a reversão não pode exceder seu custo de aquisição original (R$ 2.500.000,00, pois não há amortização). Se o ganho fosse de R$ 500.000,00, o ativo seria registrado por R$ 2.600.000,00, o que ultrapassaria o custo original.
(E) Incorreta: O cálculo correto do ganho, considerando o limite, é de R$ 400.000,00.

Fonte: FCC SEFAZ-SC 2021 Analista da Receita Estadual IV (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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