Questão nº 7
Questão de Língua Portuguesa · FCC SEFAZ-SC 2021 (nº 7)
Atenção: Considere o texto abaixo, para responder às questões de números 7 a 10.
Esta coisa é a mais difícil de uma pessoa entender. Insista. Não desanime. Parecerá óbvio. Mas é extremamente difícil de se saber dela. Pois envolve o tempo.
Nós dividimos o tempo quando ele na realidade não é divisível. Ele é sempre e imutável. Mas nós precisamos dividi-lo. E para isso criou-se uma coisa monstruosa: o relógio.
Não vou falar sobre relógios. Mas sobre um determinado relógio. O meu jogo é aberto: digo logo o que tenho a dizer e sem literatura. Este relatório é a antiliteratura da coisa.
O relógio de que falo é eletrônico e tem despertador. A marca é Sveglia, o que quer dizer “acorda”. Acorda para o que, meu Deus? Para o tempo. Para a hora. Para o instante. Esse relógio não é meu. Mas apossei-me de sua infernal alma tranquila.
Não é de pulso: é solto portanto. Tem dois centímetros e fica de pé na superfície da mesa. Eu queria que ele se chamasse Sveglia mesmo. Mas a dona do relógio quer que se chame Horácio. Pouco importa. Pois o principal é que ele é o tempo.
A coisa difícil de uma pessoa entender de que fala o narrador em seu relatório se evidencia em:
Este texto de apoio vale também pra questão nº 8, questão nº 9, questão nº 10.
- AA marca é Sveglia, o que quer dizer “acorda”. (alternativa correta)
- BPois o principal é que ele é o tempo.
- CNós dividimos o tempo quando ele na realidade não é divisível.
- DNão vou falar sobre relógios.
- EMas apossei-me de sua infernal alma tranquila.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
A ideia central de um texto é o ponto mais importante que o autor quer comunicar, o tema principal ou a mensagem essencial que ele desenvolve. Para identificá-la, devemos procurar a afirmação que resume o propósito do texto ou a principal tese defendida.
- (A) Correta: A "coisa difícil de entender" é que o tempo é indivisível, mas nós o dividimos (parágrafo 2). O narrador, ao falar do relógio Sveglia ("acorda"), questiona: "Acorda para o que, meu Deus? Para o tempo. Para a hora. Para o instante." Essa reflexão mostra que o ato de "acordar" imposto pelo relógio é a evidência diária e concreta da divisão artificial do tempo, que é a dificuldade central que ele aborda. O nome do relógio e a pergunta do narrador manifestam a imposição dessa divisão.
- (B) Incorreta: Esta frase é uma conclusão do narrador sobre a essência do relógio, identificando-o com o tempo. Não é a evidência da dificuldade de entender a natureza do tempo, mas sim uma síntese da sua percepção pessoal.
- (C) Incorreta: Esta alternativa define a "coisa difícil" (a contradição entre a indivisibilidade do tempo e nossa prática de dividi-lo). A pergunta, no entanto, pede em que essa dificuldade se evidencia (ou seja, como ela se manifesta ou é percebida na prática), e não a sua definição. Esta é a armadilha da banca: a alternativa C é a definição da dificuldade, enquanto a A é a manifestação ou evidência dela no contexto do relógio.
- (D) Incorreta: Esta é uma declaração do narrador sobre o foco de sua narrativa (não falar de relógios em geral, mas de um específico). Não tem relação direta com a "coisa difícil de entender" ou sua evidência.
- (E) Incorreta: Esta frase expressa a apropriação pessoal e a percepção do narrador sobre a essência do relógio, mas não é a evidência da dificuldade universal de compreender o tempo que ele introduz no início do texto. É uma reação pessoal à "alma" do relógio.
Fonte: FCC SEFAZ-SC 2021 Analista da Receita Estadual IV (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.