Questão nº 75

Questão de Contabilidade Geral, Avançada e Auditoria · FCC SEFAZ-GO 2018 (nº 75)

FCC2018Auditor-Fiscal da Receita Estadual - Classe A - Padrão 1Contabilidade Geral, Avançada e Auditoria
Gabarito: Ever comentário ↓

Considere a seguinte situação hipotética:

Determinado Estado da Federação mantém programa de Cidadania Fiscal por meio do qual a emissão de notas e cupons fiscais pode ser feita com a inclusão do número de CPF do consumidor final. Após cadastro no programa, é possível que esses contribuintes diretos obtenham descontos no imposto sobre a propriedade de veículos automotores – IPVA devido.

Em auditoria interna da base de dados de resgates de pontos na forma de descontos no IPVA, realizou-se um teste para apurar a distância geográfica entre os estabelecimentos em que foram realizadas as compras dos bens e serviços de onde se originou a pontuação resgatada, o endereço registrado no cadastro do programa e o domicílio do proprietário constante da anotação no Departamento Estadual de Trânsito. O objetivo pretendido era indicar possíveis erros, fraudes ou simulações.

Após inspeção gráfica dos dados, o auditor promoveu a exclusão de uma série de observações que, a seu juízo, não poderiam estar corretas. Ao fim, chegou-se a uma relação de pessoas jurídicas como emissoras de documentação fiscal com afastamento geográfico suspeito entre sede e local de utilização dos pontos derivados.

Sobre o caso e considerando a amostragem em auditoria, é correto afirmar.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

Conceito-chave: Em amostragem estatística, o risco de amostragem é a chance de o auditor concluir algo errado porque examinou só uma parte (a amostra) em vez do todo (a população). Quanto menor a amostra, maior a chance de ela não representar bem o todo — ou seja, maior o risco. É uma relação inversa: amostra pequena = risco alto; amostra grande = risco baixo.

  • (A) Incorreta: A auditoria interna tem como um de seus objetivos assessorar a administração na prevenção e detecção de fraudes e erros, sendo essa uma função clássica e expressamente prevista nas normas profissionais.
  • (B) Incorreta: As normas permitem a exclusão de outliers (valores extremos e anômalos), desde que o auditor documente o critério e avalie o impacto; o que se exige é que a exclusão não torne a amostra tendenciosa sem justificativa técnica.
  • (C) Incorreta: O trabalho de análise de dados com indicação de suspeitas é exatamente o tipo de insumo que pode e deve subsidiar uma auditoria dirigida (focada em riscos), sendo prática recomendada.
  • (D) Incorreta: A seleção foi feita por julgamento (o auditor escolheu as observações suspeitas), e não por método aleatório (sorteio com probabilidade conhecida), que é o que caracteriza a amostragem estatística.
  • (E) Correta: A relação é inversa: se o auditor aumenta o risco de amostragem que está disposto a aceitar, ele pode diminuir o tamanho da amostra; se quer reduzir o risco, precisa aumentar a amostra. Essa é a lógica fundamental do dimensionamento amostral.

Armadilha da banca no distrator (B): A pegadinha está em afirmar que a exclusão de outliers é proibida. Na prática, a exclusão é permitida e até recomendada quando há justificativa técnica (como dados claramente incorretos ou atípicos), desde que documentada. O erro da alternativa é o radicalismo "não permitem", que confunde o aluno que sabe que a exclusão precisa de cuidado, mas não lembra que ela é legal. A banca explora o medo de "tendenciosidade" para fazer você achar que a exclusão invalida tudo — mas o que invalida é a exclusão sem critério, não a exclusão em si.

Fonte: FCC SEFAZ-GO 2018 Auditor-Fiscal da Receita Estadual - Classe A - Padrão 1 (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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