Questão nº 13

Questão de Raciocínio Lógico · FCC PMSP Analista TIC 2025 (nº 13)

FCC2025Analista de Planejamento e Desenvolvimento Organizacional - Tecnologia da Informação e ComunicaçãoRaciocínio Lógico
Gabarito: Cver comentário ↓

Considere as cidades de Avaré, Bauru, Garça e Tatuí. Dessas cidades, Maria já visitou no mínimo duas e no máximo três e ela fez as seguintes afirmações:

  • Se eu visitei Tatuí, então não visitei Bauru.
  • Nunca visitei Avaré e nunca visitei Garça.
  • Ou visitei Avaré ou não visitei Bauru.
  • Visitei Garça se, e somente se, não visitei Tatuí.

Exatamente uma dessas quatro afirmações é falsa, logo, em relação às quatro cidades citadas, a alternativa que contém todas as cidades que Maria visitou é

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

Em problemas de lógica onde se sabe que apenas uma afirmação é falsa (ou verdadeira), a melhor forma de resolver é testar cada afirmação como sendo a falsa (ou verdadeira), e verificar se as outras afirmações e as condições do problema (como o número de cidades visitadas) são consistentes.

Vamos representar "Maria visitou X" como V(X) e "Maria não visitou X" como ¬\negV(X).
As afirmações são:
S1: V(T) \rightarrow ¬\negV(B) (Se Maria visitou Tatuí, então não visitou Bauru)
S2: ¬\negV(A) \land ¬\negV(G) (Maria nunca visitou Avaré e nunca visitou Garça)
S3: V(A) \lor ¬\negV(B) (Maria visitou Avaré ou não visitou Bauru)
S4: V(G) \leftrightarrow ¬\negV(T) (Maria visitou Garça se, e somente se, não visitou Tatuí)

Maria visitou no mínimo duas e no máximo três cidades.

Estratégia: Vamos testar cada afirmação como sendo a falsa, assumindo que as outras três são verdadeiras.

  1. Supondo S1 é Falsa:
    Se S1 (V(T) \rightarrow ¬\negV(B)) é Falsa, então V(T) é Verdadeira E ¬\negV(B) é Falsa (ou seja, V(B) é Verdadeira).
    Então, Maria visitou Tatuí (T) e Bauru (B).
    As outras afirmações (S2, S3, S4) devem ser Verdadeiras.
    S2: ¬\negV(A) \land ¬\negV(G) é Verdadeira     \implies Maria não visitou Avaré (¬\negV(A)) e não visitou Garça (¬\negV(G)).
    Com isso, Maria visitou {T, B} e não visitou {A, G}. (2 cidades visitadas, o que é válido).
    Agora, verificamos S3: V(A) \lor ¬\negV(B).
    Como ¬\negV(A) é Verdadeira, V(A) é Falsa. Como V(B) é Verdadeira, ¬\negV(B) é Falsa.
    Então S3 seria Falsa \lor Falsa, que é Falsa.
    Isso contradiz nossa suposição de que S3 é Verdadeira. Portanto, S1 não pode ser a afirmação falsa.

  2. Supondo S2 é Falsa:
    Se S2 (¬\negV(A) \land ¬\negV(G)) é Falsa, então NÃO é verdade que Maria não visitou Avaré E não visitou Garça. Isso significa que Maria visitou Avaré OU visitou Garça (ou ambas), ou seja, V(A) \lor V(G) é Verdadeira.
    As outras afirmações (S1, S3, S4) devem ser Verdadeiras.
    S1: V(T) \rightarrow ¬\negV(B) (Verdadeira)
    S3: V(A) \lor ¬\negV(B) (Verdadeira)
    S4: V(G) \leftrightarrow ¬\negV(T) (Verdadeira)

    Vamos analisar S4:

    • Cenário 2.1: V(G) é Verdadeira.
      Se V(G) é Verdadeira, então, para S4 ser Verdadeira, ¬\negV(T) deve ser Verdadeira (ou seja, V(T) é Falsa).
      Como S2 é Falsa, V(A) \lor V(G) é Verdadeira. Como V(G) é Verdadeira, V(A) pode ser Verdadeira ou Falsa.
      • Cenário 2.1.1: V(A) é Verdadeira.
        Então, Maria visitou {A, G} e não visitou {T}.
        S3 (V(A) \lor ¬\negV(B)): Como V(A) é Verdadeira, S3 é Verdadeira independentemente de V(B).
        S1 (V(T) \rightarrow ¬\negV(B)): Como V(T) é Falsa, S1 é Verdadeira independentemente de V(B).
        Isso significa que V(B) pode ser Verdadeira ou Falsa.
        • Se V(B) é Verdadeira: Maria visitou {A, G, B}. Não visitou {T}.
          Número de cidades visitadas: 3. (Válido).
          Verificando todas as afirmações: S1 (F \rightarrow F) = V; S2 (¬\negA \land ¬\negG) = (F \land F) = F (OK, é a falsa); S3 (A \lor ¬\negB) = (V \lor F) = V; S4 (G \leftrightarrow ¬\negT) = (V \leftrightarrow V) = V.
          Este cenário é consistente. Maria visitou Avaré, Bauru e Garça.
        • Se V(B) é Falsa: Maria visitou {A, G}. Não visitou {T, B}. (2 cidades visitadas, válido, mas não é uma alternativa).
      • Cenário 2.1.2: V(A) é Falsa (¬\negV(A)).
        Então, Maria visitou {G} e não visitou {T, A}.
        S3 (V(A) \lor ¬\negV(B)): Como V(A) é Falsa, para S3 ser Verdadeira, ¬\negV(B) deve ser Verdadeira (V(B) é Falsa).
        Maria visitou {G} e não visitou {T, A, B}. (1 cidade visitada). Isso viola a condição de 2 ou 3 cidades.
    • Cenário 2.2: V(G) é Falsa (¬\negV(G)).
      Se V(G) é Falsa, então, para S4 ser Verdadeira, ¬\negV(T) deve ser Falsa (V(T) é Verdadeira).
      Como S2 é Falsa, V(A) \lor V(G) é Verdadeira. Como V(G) é Falsa, V(A) deve ser Verdadeira.
      Então, Maria visitou {A, T} e não visitou {G}.
      S1 (V(T) \rightarrow ¬\negV(B)): Como V(T) é Verdadeira, para S1 ser Verdadeira, ¬\negV(B) deve ser Verdadeira (V(B) é Falsa).
      Maria visitou {A, T} e não visitou {G, B}. (2 cidades visitadas, válido, mas não é uma alternativa).

    A única solução consistente que corresponde a uma das alternativas é Maria ter visitado Avaré, Bauru e Garça.

  3. Supondo S3 é Falsa:
    Se S3 (V(A) \lor ¬\negV(B)) é Falsa, então V(A) é Falsa E ¬\negV(B) é Falsa (ou seja, V(B) é Verdadeira).
    Então, Maria não visitou Avaré (¬\negV(A)) e visitou Bauru (B).
    As outras afirmações (S1, S2, S4) devem ser Verdadeiras.
    S2: ¬\negV(A) \land ¬\negV(G) é Verdadeira. Como ¬\negV(A) já é Verdadeira, então ¬\negV(G) também deve ser Verdadeira.
    Então, Maria não visitou Avaré (¬\negV(A)) e não visitou Garça (¬\negV(G)).
    Com isso, Maria visitou {B} e não visitou {A, G}. (1 cidade visitada). Isso viola a condição de 2 ou 3 cidades. Portanto, S3 não pode ser a afirmação falsa.

  4. Supondo S4 é Falsa:
    Se S4 (V(G) \leftrightarrow ¬\negV(T)) é Falsa, então V(G) e ¬\negV(T) têm valores de verdade diferentes. Isso significa: (V(G) é Verdadeira E V(T) é Verdadeira) OU (V(G) é Falsa E V(T) é Falsa).
    As outras afirmações (S1, S2, S3) devem ser Verdadeiras.
    S2: ¬\negV(A) \land ¬\negV(G) é Verdadeira     \implies Maria não visitou Avaré (¬\negV(A)) e não visitou Garça (¬\negV(G)).
    Como ¬\negV(G) é Verdadeira, V(G) é Falsa.
    Voltando à condição de S4 ser Falsa: se V(G) é Falsa, então V(T) também deve ser Falsa.
    Então, Maria não visitou {A, G, T}.
    Agora, verificamos S3: V(A) \lor ¬\negV(B). Como V(A) é Falsa, para S3 ser Verdadeira, ¬\negV(B) deve ser Verdadeira (V(B) é Falsa).
    Então, Maria não visitou {A, G, T, B}. (0 cidades visitadas). Isso viola a condição de 2 ou 3 cidades. Portanto, S4 não pode ser a afirmação falsa.

A única hipótese que não gerou contradição e satisfez todas as condições foi a de S2 ser a afirmação falsa, resultando em Maria ter visitado Avaré, Bauru e Garça.

  • (A) Incorreta: Maria visitou Avaré e Bauru, mas também Garça. Esta alternativa não lista todas as cidades visitadas.
  • (B) Incorreta: Se Maria tivesse visitado Tatuí (V(T)), e S1 (V(T) \rightarrow ¬\negV(B)) fosse verdadeira, então ela não teria visitado Bauru (¬\negV(B)). Esta alternativa é inconsistente com S1 sendo verdadeira.
  • (C) Correta: Maria visitou Avaré, Bauru e Garça. Neste cenário, S1 (F \rightarrow F) é V; S2 (F \land F) é F; S3 (V \lor F) é V; S4 (V \leftrightarrow V) é V. Exatamente uma afirmação (S2) é falsa, e 3 cidades foram visitadas, o que é consistente com todas as condições.
  • (D) Incorreta: Se Maria tivesse visitado Tatuí (V(T)), e S4 (V(G) \leftrightarrow ¬\negV(T)) fosse verdadeira, então ela não teria visitado Garça (¬\negV(G)). Esta alternativa é inconsistente com S4 sendo verdadeira. A armadilha aqui é não verificar as implicações das afirmações que devem ser verdadeiras (S1, S3, S4) se S2 for a falsa.
  • (E) Incorreta: Se Maria tivesse visitado Tatuí (V(T)), seria inconsistente com a visita a Bauru (pela S1 verdadeira) e com a visita a Garça (pela S4 verdadeira). Esta alternativa é duplamente inconsistente.

Fonte: FCC PMSP Analista TIC 2025 Analista de Planejamento e Desenvolvimento Organizacional - Tecnologia da Informação e Comunicação (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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