Questão nº 1
Questão de Língua Portuguesa · FCC PMSP Analista TIC 2025 (nº 1)
Atenção: Para responder às questões de números 1 a 3, baseie-se no texto abaixo.
Todos sabemos que a nossa época é profundamente bárbara, embora se trate de uma barbárie ligada ao máximo de civilização. Penso que o movimento pelos direitos humanos se entronca aí, pois somos a primeira era da história em que teoricamente é possível entrever uma solução para as grandes desarmonias que geram a injustiça contra a qual lutam os homens de boa vontade, à busca não mais do estado ideal sonhado pelos utopistas racionais que nos antecederam, mas do máximo viável de igualdade e justiça.
Mas esta verificação desalentadora deve ser compensada por outra mais otimista: nós sabemos que hoje os meios materiais necessários para nos aproximarmos desse estágio melhor existem, e que muito do que era simples utopia se tornou possibilidade real. Quem acredita nos direitos humanos procura transformar a possibilidade teórica em realidade. Inversamente, um traço sinistro do nosso tempo é saber que é possível a solução de tantos problemas e ainda assim não se empenhar nela.
No texto, Antonio Candido destaca
Este texto de apoio vale também pra questão nº 2, questão nº 3.
- Ao surgimento do movimento pelos direitos humanos como resquício de retrocessos históricos, sugerindo que tal movimento sobrepuja a barbárie.
- Bo retrocesso histórico dos dias de hoje, sugerindo que o movimento pelos direitos humanos prescinde dos valores civilizatórios de épocas passadas.
- Ca oposição entre barbárie e civilização, sugerindo que o movimento pelos direitos humanos, ao tentar promover uma igualdade utópica, ignora essa dualidade.
- Da coexistência paradoxal entre a barbárie e o ápice da civilização, sugerindo que o movimento pelos direitos humanos se insere nessa tensão. (alternativa correta)
- Ea negação da barbárie por parte dos que defendem os valores do progresso civilizatório, sugerindo que o movimento pelos direitos humanos ratifica esta mesma negação.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
O texto de Antonio Candido explora a ideia de que vivemos em uma era de barbárie que, paradoxalmente, convive com o ápice da civilização, e o movimento pelos direitos humanos surge como uma resposta a essa contradição.
(A) Incorreta: O texto não sugere que o movimento pelos direitos humanos é um "resquício de retrocessos históricos"; pelo contrário, ele se "entronca" na barbárie atual, que é ligada ao máximo de civilização.
(B) Incorreta: O autor não fala de um simples "retrocesso histórico" de forma isolada, mas de uma barbárie que coexiste com o auge da civilização. O movimento pelos direitos humanos busca "igualdade e justiça", que são valores civilizatórios, não prescinde deles.
(C) Incorreta: O texto não apresenta uma simples "oposição" entre barbárie e civilização, mas uma coexistência paradoxal ("barbárie ligada ao máximo de civilização"). Além disso, o movimento busca o "máximo viável de igualdade e justiça", não ignorando a dualidade, mas agindo dentro dela para transformar o que era utopia em possibilidade real. A armadilha aqui é interpretar "igualdade utópica" de forma pejorativa, quando o texto sugere que a utopia se tornou "possibilidade real".
(D) Correta: O texto inicia afirmando que "nossa época é profundamente bárbara, embora se trate de uma barbárie ligada ao máximo de civilização", o que expressa a coexistência paradoxal. Em seguida, diz que o movimento pelos direitos humanos "se entronca aí", ou seja, se insere nessa tensão entre a barbárie e o desenvolvimento civilizatório.
(E) Incorreta: O texto não fala em "negação da barbárie"; pelo contrário, ele a reconhece explicitamente ("Todos sabemos que a nossa época é profundamente bárbara"). O movimento pelos direitos humanos luta contra a injustiça, não nega a existência da barbárie.
Fonte: FCC PMSP Analista TIC 2025 Analista de Planejamento e Desenvolvimento Organizacional - Tecnologia da Informação e Comunicação (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.