Questão nº 11
Questão de Língua Portuguesa · FCC CMFOR 2019 (nº 11)
Ela canta, pobre ceifeira,
Julgando-se feliz talvez;
Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia
De alegre e anônima viuvez,Ondula como um canto de ave
No ar limpo como um limiar,
E há curvas no enredo suave
Do som que ela tem a cantar.Ouvi-la alegra e entristece,
Na sua voz há o campo e a lida,
E canta como se tivesse
Mais razões p’ra cantar que a vida.Ah, canta, canta sem razão!
O que em mim sente ’stá pensando.
Derrama no meu coração
A tua incerta voz ondeando!Ah, poder ser tu, sendo eu!
Ter a tua alegre inconsciência,
E a consciência disso! Ó céu!
Ó campo! Ó canção! A ciênciaPesa tanto e a vida é tão breve!
Entrai por mim dentro! Tornai
Minha alma a vossa sombra leve!Depois, levando-me, passai!
O pleonasmo é definido como a redundância de termos no âmbito das palavras, mas de emprego legítimo em certos casos, pois confere maior vigor ao que está sendo expresso. Verifica-se a ocorrência de pleonasmo no seguinte verso:
- AMinha alma a vossa sombra leve! (6ª estrofe)
- BO que em mim sente ’stá pensando. (4ª estrofe)
- CAh, poder ser tu, sendo eu! (5ª estrofe)
- DTer a tua alegre inconsciência, (5ª estrofe)
- EEntrai por mim dentro! Tornai (6ª estrofe) (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
Pleonasm é a repetição desnecessária de uma ideia já expressa, seja por palavras ou por construções, mas que, em alguns casos, é usada intencionalmente para dar mais força ou ênfase à mensagem.
- (A) Incorreta: Não há redundância de sentido neste verso. A alma é comparada ou associada à "sombra leve" da canção/campo/ave, uma figura de linguagem como a metáfora.
- (B) Incorreta: Este verso apresenta uma ideia de contraste ou paradoxo entre "sentir" e "pensar", não uma repetição de sentido.
- (C) Incorreta: Expressa um desejo de identificação e transformação, mantendo a própria identidade, o que é uma ideia complexa e não uma redundância.
- (D) Incorreta: É uma expressão direta de um desejo, sem qualquer repetição de termos ou ideias.
- (E) Correta: O verbo "entrar" já significa "ir para dentro". A adição do advérbio "dentro" é redundante, mas utilizada para intensificar a ideia de penetração ou interiorização, configurando um pleonasmo enfático. A armadilha da banca reside em que "entrar para dentro" é uma expressão tão comum no dia a dia que muitos não percebem a redundância de "dentro", embora gramaticalmente e semanticamente ela exista.
Fonte: FCC CMFOR 2019 Agente Administrativo (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.