Questão nº 3
Questão de Língua Portuguesa · FCC CMFOR 2019 (nº 3)
Desde aquela história de Jó contada no Antigo Testamento, Deus e o Diabo não apostavam sobre os seres humanos, com o que a eternidade já estava ficando meio monótona. O Maligno resolveu, então, provocar o Senhor: que tal uma nova aposta? Deus, na sua infinita paciência, topou.
Dessa vez, contudo, o Diabo estava decidido a não perder. Para começar, escolheu cuidadosamente o lugar onde procuraria sua vítima: um país chamado Brasil no qual, segundo seus assessores ministeriais, a diferença entre pobres e ricos chegava ao nível da obscenidade. Os mesmos assessores tinham sugerido que se concentrasse em aposentados, pessoas que sabidamente ganham pouco.
O Diabo pôs-se em ação. Foi-lhe fácil induzir um erro no sistema de pagamento de aposentadorias, com o qual um aposentado recebeu, de uma só vez, mais de R$ 6 milhões. E aí tanto o céu como o inferno pararam: anjos, santos e demônios, todos queriam ver o que o homem faria com o dinheiro. O Diabo, naturalmente, esperava que ele se entregasse a uma vida de deboches: festas espantosas, passeios em iates luxuosos, rios de champanhe fluindo diariamente.
Não foi nada disto que aconteceu. Ao constatar a existência do depósito milionário, o aposentado simplesmente devolveu o dinheiro. Eu não conseguiria dormir, disse, à guisa de explicação.
O Diabo ficou indignado com o que lhe parecia uma extrema burrice. Mas então teve a ideia de verificar o quanto o homem recebia de aposentadoria por mês: menos de R$ 600. Deu-se conta então de seu erro: a desproporção entre a quantia e os R$ 6 milhões da tentação tinha sido grande demais.
Mas o Diabo aprendeu a lição. Pretende desafiar de novo o Senhor. Desta vez, porém, escolherá um milionário, alguém familiarizado com o excesso de grana. Ou então um pobre. Mas neste acaso fornecerá, além de muito dinheiro, um frasco de pílulas para dormir. A insônia dos justos tira o sono de qualquer diabo.
Em Os mesmos assessores tinham sugerido que se concentrasse em aposentados, pessoas que sabidamente ganham pouco (2º parágrafo), o pronome sublinhado refere-se a
- Aaposentados.
- BDeus.
- Cvítima.
- Dassessores.
- EDiabo. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
Coesão referencial é o uso de palavras (como pronomes) para retomar ou antecipar termos já mencionados no texto, garantindo que as ideias estejam conectadas e evitando repetições desnecessárias. O pronome "se" pode ter diversas funções, e aqui ele atua como parte integrante do verbo "concentrar-se", indicando que a ação de concentrar é feita pelo próprio sujeito.
- (A) Incorreta: Os aposentados são o alvo da concentração, não quem deveria se concentrar. A frase significaria "que os aposentados se concentrassem nos aposentados", o que não faz sentido no contexto.
- (B) Incorreta: Deus é mencionado no primeiro parágrafo, mas o segundo parágrafo foca nas ações e planos do Diabo. Não há conexão para que Deus seja o referente aqui.
- (C) Incorreta: A "vítima" é o resultado da concentração do Diabo (um aposentado). O pronome "se" refere-se a quem realiza a ação de concentrar, não ao objeto dessa ação.
- (D) Incorreta: Os assessores são os que sugerem, não os que se concentram. A sugestão é para que outra pessoa se concentre. Se fosse para os assessores se concentrarem, a frase seria "que eles se concentrassem".
- (E) Correta: A frase anterior e a seguinte deixam claro que o Diabo é o agente principal das ações. Os assessores estão dando conselhos ao Diabo sobre onde ele deveria concentrar seus esforços para encontrar uma vítima. Portanto, o "se" refere-se ao Diabo, que é quem deveria "concentrar-se" (focar-se) nos aposentados.
Fonte: FCC CMFOR 2019 Agente Administrativo (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.