Questão nº 48

Questão de Filosofia · INEP ENEM 2025 (nº 48)

INEP2025Filosofia
Gabarito: Ever comentário ↓

A credulidade dos ouvintes aumenta o descaramento do narrador, e o descaramento deste conquista-lhes a credulidade. A eloquência, quando levada a seu patamar mais alto, deixa pouco lugar à razão ou à reflexão, mas, dirigindo-se inteiramente à imaginação e aos afetos, cativa os ouvintes condescendentes e subjuga-lhes o entendimento.

No contexto do século XVIII, o autor propõe uma reflexão radical acerca da arte da eloquência, restringindo-a ao

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

A eloquência é a arte de falar bonito para persuadir (convencer pela emoção), não para provar pela razão. Quando o orador domina essa arte, ele mexe com a imaginação e os afetos (sentimentos) do ouvinte, e este, crédulo, aceita tudo — por isso Hume compara esse poder ao dos sofistas criticados por Platão.

  • (A) Incorreta: Kant busca objetividade do conhecimento por estruturas racionais universais; a eloquência, ao contrário, subjuga o entendimento pela emoção — nada a ver com o projeto kantiano.
  • (B) Incorreta: Os Universais medievais tratam de conceitos gerais (realismo/nominalismo), debate metafísico alheio ao texto, que fala de retórica e credulidade.
  • (C) Incorreta: A lógica aristotélica dos Analíticos é o reino da demonstração válida; a eloquência justamente dispensa a razão, então não se reduz à lógica.
  • (D) Incorreta: O método cartesiano exige dúvida metódica e clareza racional; a eloquência faz o oposto: cativa pela paixão, sem passar pelo crivo da razão.
  • (E) Correta: O texto descreve a eloquência como força que persuade pela imaginação e pelos afetos, subjugando o entendimento — exatamente o que Platão criticava nos sofistas, mestres da persuasão sem compromisso com a verdade. Por isso a arte da eloquência fica restrita ao âmbito da persuasão.

Armadilha da banca (distrator mais tentador — letra D): o aluno vê "século XVIII" e "razão" e pensa automaticamente em Descartes ou no Iluminismo racionalista. Mas o texto de Hume é empirista e descreve a eloquência como algo que atropela a razão — logo, encaixá-la no "paradigma da racionalidade cartesiana" é contradição direta com o próprio enunciado. A pista está nas palavras "imaginação", "afetos", "cativa" e "subjuga o entendimento": tudo aponta para persuasão, não para método racional.

Fonte: INEP ENEM 2025 (Caderno Azul). Reproduzida para fins de estudo.

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