Questão nº 32
Questão de Língua Portuguesa · INEP ENEM 2025 (nº 32)
Muitos pensam que narrativa curta é sinônimo de conto, perdendo de vista gêneros que, por tradição ruim, continuam à margem da nobreza. Acontece que o conto tem uma densidade específica, centrando-se na exemplaridade de um instante da condição humana, sem que essa exemplaridade se refira à valoração moral, já que uma grande mazela pode muito bem exemplificar uma das nossas faces. A crônica não tem essa característica. Conservou a marca do registro circunstancial feito por narrador-repórter que relata um fato para muitos leitores que formam um público determinado. Mas que público é esse? Sendo a crônica uma soma de jornalismo e literatura (daí a imagem do narrador-repórter), dirige-se a uma classe que tem preferência pelo jornal em que ela é publicada, o que significa uma espécie de censura ou, pelo menos, de limitação: a ideologia do veículo corresponde ao interesse dos seus consumidores, direcionados pelos proprietários dos periódicos e/ou pelos editores-chefes da redação. Ocorre ainda o limite de espaço, uma vez que a página comporta várias matérias, o que impõe a cada uma delas um número restrito de laudas, obrigando o redator a explorar, da maneira mais econômica possível, o pequeno espaço de que dispõe. É dessa economia que nasce sua riqueza estrutural.
De acordo com esse texto, o aspecto tecnológico que influencia a composição do gênero crônica advém da
- Aconexão ideológica.
- Bdensidade temática.
- Cênfase no público leitor.
- Dapresentação de uma moral.
- Erestrição espacial do suporte. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
Conceito-chave: Crônica é um gênero híbrido (jornal + literatura) que nasce dentro de um espaço físico limitado do jornal. Esse limite de laudas (páginas/colunas) é um fator tecnológico do suporte — ou seja, a própria materialidade do veículo (o papel, a diagramação, o número fixo de linhas) obriga o cronista a escrever de forma econômica. Dessa economia nasce a riqueza estrutural da crônica.
- (A) Incorreta: A conexão ideológica (interesses do jornal e do público) é um fator editorial/político, não tecnológico do suporte; o texto a cita como censura/limitação, mas não é ela que a questão pede.
- (B) Incorreta: Densidade temática é característica do conto, não da crônica — o texto diz explicitamente que "a crônica não tem essa característica".
- (C) Incorreta: A ênfase no público leitor é consequência da linha editorial do veículo; é fator social/comercial, não tecnológico do suporte.
- (D) Incorreta: Moral é traço do conto ligado à exemplaridade; o texto nega isso para a crônica e ainda relativiza a valoração moral.
- (E) Correta: O texto afirma que "o limite de espaço... impõe a cada uma delas um número restrito de laudas, obrigando o redator a explorar, da maneira mais econômica possível, o pequeno espaço". Esse limite físico do suporte jornal é o aspecto tecnológico que molda a estrutura da crônica.
Distrator mais tentador — (C): A banca coloca "público leitor" porque o texto fala bastante dele ("público determinado", "consumidores", "ideologia do veículo"). A armadilha é confundir fator editorial/ideológico com fator tecnológico. A palavra-chave do enunciado é "tecnológico" — e tecnologia, aqui, remete ao suporte material (espaço na página), não ao leitor. Sempre que a questão pedir "aspecto tecnológico", procure no texto o que diz respeito ao meio físico de publicação (laudas, colunas, diagramação), não a quem lê ou ao que se pensa.
Fonte: INEP ENEM 2025 (Caderno Azul). Reproduzida para fins de estudo.