Questão nº 30
Questão de Língua Portuguesa · INEP ENEM 2025 (nº 30)
Uruku
Urucum
Rocou
**(Bixa orellana)**
Moju, dono da água, não gosta do cheiro de urucum. Mani’ojarã, dono da mandioca, e os donos das outras plantas cultivadas também não. Eles não suportam. Por isso, os Wajãpi se untam de urucum, deixam o rosto vermelho e se perfumam com seu aroma agradável. Além disso, os seres agressores, os jarã (donos) e os espíritos terrestres, gostam do cheiro dos fluidos humanos, do sangue, do suor. Então, o urucum os dissimula, protegendo as pessoas que vão caçar, caminhar pela floresta, que estão sendo perturbadas por espíritos em sonhos ou que estão em resguardo, como os doentes. O seu uso é tão cotidiano que os Wajãpi o plantam na aldeia, para ter sempre pertinho. Como o urucum não tem jarã, não tem problema nenhum em arrancar e usar para pintar.
Esse verbete contribui para a preservação do patrimônio linguístico nacional, pois apresenta uma
- Aexplicação de um rito medicinal do povo Wajãpi.
- Bdefinição de um termo na perspectiva ancestral indígena. (alternativa correta)
- Crelação de equivalência entre vocábulos de diferentes línguas indígenas.
- Datualização de saberes tradicionais dos povos indígenas brasileiros.
- Edescrição das propriedades científicas de plantas silvestres.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
O texto é um verbete: um pequeno texto que explica o significado de uma palavra. Aqui, ele define o que é urucum mostrando como o povo Wajãpi entende a planta, seu uso, seu cheiro e seu papel na proteção contra espíritos. Ou seja, é uma definição construída a partir do saber indígena, não de um dicionário comum.
- (A) Incorreta: o texto não descreve um rito medicinal (um ritual de cura com etapas e finalidade terapêutica); ele explica o uso cotidiano do urucum como pintura e perfume protetor.
- (B) Correta: o verbete define o termo urucum pela ótica Wajãpi — origem, função e significado cultural —, o que preserva o patrimônio linguístico ao registrar a palavra com a visão ancestral do povo.
- (C) Incorreta: não há equivalência entre línguas indígenas; o texto apenas cita variações do mesmo termo (uruku, urucum, rocou) e o nome científico, sem comparar línguas.
- (D) Incorreta: não se trata de atualização de saberes (mudança/modernização); o texto registra o saber tradicional como ele é, sem propor nova versão.
- (E) Incorreta: não há descrição científica (composição química, propriedades farmacológicas); o foco é cultural e simbólico, não laboratorial.
Distrator mais tentador — letra (A): a banca usa a palavra "resguardo" e a ideia de proteger doentes para fazer você pensar em "medicinal". A armadilha é confundir proteção espiritual/cultural com tratamento de doença. O urucum ali não cura: ele dissimula o cheiro humano para enganar espíritos.
Fonte: INEP ENEM 2025 (Caderno Azul). Reproduzida para fins de estudo.