Questão nº 25
Questão de Língua Portuguesa · INEP ENEM 2025 (nº 25)
Passando por aqui para lembrar algumas palavras, frases e expressões que nos infernizaram em 2023. Inclusive passando por aqui. Se você for proativo, vai achar que é o novo normal. Estarão na sua zona de conforto. Mas, se for reativo como eu, vai achar que é uma narrativa que precisa ser ressignificada.
É uma questão de empatia. É sobre entregar um discurso mais robusto e empoderado. Sei bem que não tenho lugar de fala para harmonizar certos pontos fora da curva e que preciso aplicar toda a minha resiliência para fazer um realinhamento. O nível de fitness está hoje num sarrafo muito alto.
O fato é que acho cringe essas falas fora da caixinha. Aliás, falar cringe já é meio cringe. Preciso usar a superação para me reinventar e entender que resenha não tem mais a ver com futebol, é qualquer papo, desde que latente.
Pensando bem, não é tão difícil. Frases feitas são aquelas que entram por um ouvido e saem pelo outro sem um estágio intermediário no cérebro. A boca fala por conta própria, dispensando-nos de pensar. E não tem problema nisso. Ou as ditas frases se incorporam à língua ou morrem e nascem outras. A língua é assim. Simples assim.
Nesse texto, a estratégia empregada para criticar a constante exposição a palavras, frases e expressões automatizadas é o(a)
- Amenção feita à efemeridade de alguns usos linguísticos aleatórios.
- Bsubjetividade marcada pela reflexão que se desenvolve em primeira pessoa.
- Cefeito estilístico da repetição intencional da palavra “assim” no último parágrafo.
- Dsedução sugerida pelo envolvimento direto do leitor marcado nos usos de “você” e “sua”.
- Ehumor gerado pelo uso das estruturas linguísticas que são objeto da reflexão desenvolvida. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
O humor é o efeito de sentido que nasce do contraste entre o que se diz e o modo como se diz: aqui, o texto usa as próprias expressões da moda ("proativo", "ressignificar", "lugar de fala", "cringe") para criticá-las, criando ironia. É como rir de um clichê imitando o clichê.
- (A) Incorreta: o texto até sugere que frases nascem e morrem, mas isso é constatação linguística, não a estratégia de crítica; a crítica vem do deboche, não da efemeridade.
- (B) Incorreta: a 1ª pessoa existe ("como eu", "acho"), mas é só o ponto de vista do narrador; por si só não critica nada — seria só desabafo.
- (C) Incorreta: o "assim... Simples assim" é repetição estilística real, porém serve para encerrar o texto com tom de naturalidade, não para criticar a exposição aos clichês.
- (D) Incorreta: o "você/sua" cria cumplicidade com o leitor, mas é sedução/envolvimento, não crítica — a armadilha é confundir "falar com o leitor" com "criticar o clichê".
- (E) Correta: o autor satiriza as expressões da moda empregando-as no próprio texto (proativo, ressignificar, lugar de fala, cringe, fora da caixinha, resenha); esse uso irônico das estruturas que ele critica gera o humor — e é exatamente isso que a banca cobra como estratégia.
Fonte: INEP ENEM 2025 (Caderno Azul). Reproduzida para fins de estudo.