Questão nº 20

Questão de Língua Portuguesa · INEP ENEM 2025 (nº 20)

INEP2025Língua Portuguesa
Gabarito: Bver comentário ↓

A característica fundamental no aprendizado das práticas rituais nos candomblés é o processo iniciático e participante. Durante o período de reclusão em terreiros ou rocas, o iniciado passa por uma série de ritos esotéricos (banhos rituais, raspagem da cabeça etc.), ao mesmo tempo em que começa a adquirir um complexo código de símbolos materiais (substâncias, folhas, frutos, raízes etc.) e de gestos associados a um repertório linguístico específico das cerimônias que se desenrolam nos contextos sagrados em geral e em cada terreiro em particular.

Esse repertório linguístico, genericamente chamado de “língua de santo” na Bahia, compreende uma terminologia religiosa operacional, de caráter mágico-semântico e de aparente forma portuguesa, mas que repousa sobre sistemas lexicais de diferentes línguas africanas que provavelmente foram faladas no Brasil escravocrata, vindo a constituir uma língua ritual, que se acredita pertencer à nação do vodum, do orixá ou do inquice, e não a determinada nação africana política atual.

A “língua de santo” tem sua importância para o patrimônio linguístico brasileiro por

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

A língua de santo é o conjunto de palavras e expressões usadas nos rituais afro-brasileiros (candomblé, umbanda etc.), formada por termos de origem africana que foram mantidos vivos no Brasil desde o período escravocrata. Ela é patrimônio linguístico porque guarda essas palavras herdadas dos escravizados, mesmo que hoje soem "aportuguesadas".

  • (A) Incorreta: Ter carga semântica mítica é consequência do uso ritual, não a razão pela qual ela é patrimônio linguístico brasileiro — o valor patrimonial está em preservar a herança africana.
  • (B) Correta: É o gabarito porque a "língua de santo" conserva termos das línguas africanas trazidas pelos escravizados, funcionando como memória viva desse repertório lexical no português do Brasil.
  • (C) Incorreta: Ela não resgata expressões portuguesas coloniais; apenas tem "aparente forma portuguesa", mas o léxico de base é africano.
  • (D) Incorreta: Decodificar rituais é função religiosa/cultural, não o motivo pelo qual ela integra o patrimônio linguístico brasileiro.
  • (E) Incorreta: Ela não favorece a compreensão do léxico africano contemporâneo, pois fossiliza formas antigas, ligadas às nações rituais, não às nações políticas atuais.

Distrator mais tentador — (A): a banca atrai o aluno com a palavra "mítico", que combina com o contexto religioso do texto. A armadilha é confundir função ritual (sentido sagrado) com valor patrimonial linguístico (preservação de falares africanos). O enunciado pergunta por que ela importa para o patrimônio linguístico, e a resposta tem de apontar para conservação de línguas africanas, não para o significado simbólico.

Fonte: INEP ENEM 2025 (Caderno Azul). Reproduzida para fins de estudo.

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