Questão nº 59
Questão de Sociologia · INEP ENEM 2023 (nº 59)
Do século XVI em diante, pelo menos nas classes mais altas, o garfo passou a ser usado como utensílio para comer, chegando através da Itália primeiramente à França e, em seguida, à Inglaterra e à Alemanha, depois de ter servido, durante algum tempo, apenas para retirar alimentos sólidos da travessa. Henrique III introduziu-o na França, trazendo-o provavelmente de Veneza. Seus cortesãos não foram pouco ridicularizados por essa maneira "afetada" de comer e, no princípio, não eram muito hábeis no uso do utensílio: pelo menos se dizia que metade da comida caía do garfo no caminho do prato à boca. Em data tão recente como o século XVII, o garfo era ainda basicamente artigo de luxo, geralmente feito de prata ou ouro.
O processo social relatado indica a formação de uma etiqueta que tem como princípio a
- Adistinção das classes sociais. (alternativa correta)
- Bvalorização de hábitos de higiene.
- Cexaltação da cultura mediterrânea.
- Dconsagração de tradições medievais.
- Edisseminação de produtos manufaturados.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
O processo civilizador (ideia de Norbert Elias) mostra que mudanças nos costumes — como usar garfo em vez das mãos — não são só "boas maneiras": elas funcionam como marcas de distinção social, separando quem domina o código refinado de quem não domina. No texto, o garfo é caro (prata/ouro), raro e motivo de ridicularização dos que o adotam: isso é típico de um hábito que distingue grupos sociais.
- (A) Correta: O garfo surge como artigo de luxo e símbolo de refinamento das classes altas; quem o usa se diferencia dos demais — exatamente o princípio de distinção das classes sociais.
- (B) Incorreta: O texto não fala de higiene como motivo; fala de modo "afetado" de comer, luxo e ridicularização — a ênfase é social, não sanitária.
- (C) Incorreta: A Itália é só o caminho de difusão do utensílio; o texto não exalta a cultura mediterrânea como princípio da etiqueta.
- (D) Incorreta: O garfo é justamente uma ruptura com hábitos antigos (comer com as mãos), não uma consagração de tradições medievais.
- (E) Incorreta: O garfo era artigo de luxo (prata/ouro), não produto manufaturado disseminado — a disseminação vem depois, e não é o princípio destacado.
Distrator mais tentador — (B): a banca aposta que o aluno associa "utensílio para comer" a higiene, um reflexo automático. A armadilha é que o texto nunca menciona limpeza ou saúde: ele insiste em luxo, afetação e ridicularização, pistas que apontam para distinção social, não para higiene.
Fonte: INEP ENEM 2023 (Caderno Azul). Reproduzida para fins de estudo.