Questão nº 9
Questão de Língua Portuguesa · CESGRANRIO Liquigás PSP 01/2015 (nº 9)
Donos do próprio dinheiro
Quando pensamos em bancos, imaginamos grandes empresas com agências elegantes, equipadas com caixas eletrônicos e funcionários engravatados, muita burocracia e mil procedimentos de segurança. Mas dezenas de pequenas instituições financeiras estão mudando a relação que milhares de brasileiros têm com o próprio dinheiro. São os bancos comunitários, que contam com moeda e sistema de crédito próprios e desenvolvem as economias locais.
Todas as agências são geridas e fiscalizadas pela comunidade. Hoje já existem 104 dessas instituições no país, e elas estão proliferando. De 2006 a 2012, o número de bancos comunitários aumentou dez vezes, de nove para 98 agências. Diferentemente das agências convencionais, essas instituições não consultam o nome do cliente no Serasa ou no Serviço de Proteção ao Crédito antes de abrir uma conta. Consultam a comunidade.
Uma das condições para a criação de um banco comunitário, como o próprio nome já dá a entender, é o envolvimento da comunidade. Isso porque o objetivo final não é o lucro, e sim o desenvolvimento da economia do entorno. Para tanto é criada uma moeda própria, que circula apenas na comunidade. O dinheiro para iniciar os bancos comunitários também vem do local, seja de rifas, seja de vaquinhas ou de eventos de arrecadação de fundos.
Os moradores podem pegar dois tipos de empréstimo: um para produção, como reforma de uma loja ou compra de estoque, em reais, e outro para consumo, compra de alimentos e outros produtos, na moeda do banco.
Dessa forma, artigos como alimentos, roupas, sapatos e até serviços de beleza ou aulas são consumidos na comunidade, nas lojas que aceitam a nova moeda, fazendo com que o dinheiro não deixe a região e sirva para desenvolver a economia local.
A palavra que deve ser acentuada graficamente, de acordo com as regras da norma-padrão do Português, é
- Aali
- Bantes
- Cdificil (alternativa correta)
- Dpacto
- Epotente
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
Acentuação gráfica é o uso do acento para indicar a sílaba tônica (a mais forte) ou diferenciar palavras. A regra básica para proparoxítonas (sílaba tônica na antepenúltima) é que todas são acentuadas, e é exatamente esse o caso da palavra "difícil" — mas atenção: ela é paroxítona terminada em "l", e toda paroxítona terminada em "l" leva acento.
- (A) Incorreta: "ali" é uma palavra oxítona (tônica na última sílaba) terminada em "i", e oxítonas terminadas em "i" só são acentuadas se tiverem mais de uma sílaba (ex.: "aqui" não leva, "caqui" não leva). "Ali" não recebe acento.
- (B) Incorreta: "antes" é paroxítona terminada em "s", mas paroxítonas terminadas em "s" só são acentuadas se a sílaba tônica for a penúltima e a palavra terminar em "s" precedido de vogal tônica (ex.: "lápis"). Em "antes", a tônica é "an", então não há acento.
- (C) Correta: "dificil" é paroxítona (tônica na penúltima sílaba: "fi") terminada em "l". A regra diz que toda paroxítona terminada em "l" é acentuada (como "fácil", "útil", "amável"). Por isso, o correto é "difícil".
- (D) Incorreta: "pacto" é paroxítona terminada em "o", mas paroxítonas terminadas em "o" não recebem acento (ex.: "livro", "povo"). A tônica é "pac", então fica sem acento.
- (E) Incorreta: "potente" é paroxítona terminada em "e", e paroxítonas terminadas em "e" não são acentuadas (ex.: "gente", "fonte"). A tônica é "ten", então fica sem acento.
Armadilha da banca: o distrator mais tentador é a letra B (antes), porque muitos alunos lembram que "lápis" e "ônibus" têm acento e acham que toda palavra terminada em "s" leva acento. Mas a regra é específica: só acentuamos paroxítonas terminadas em "s" quando a sílaba tônica é a penúltima e a palavra é proparoxítona aparente (como "lápis", "vírus"). Em "antes", a tônica é a primeira sílaba ("an"), então não se aplica. A pegadinha é confundir "terminação" com "posição da tônica".
Fonte: CESGRANRIO Liquigás PSP 01/2015 Conhecimentos Comuns (Nível Médio IV). Reproduzida para fins de estudo.