Questão nº 34
Questão de Conhecimentos Bancários · CESGRANRIO BB 01/2021/001 (nº 34)
Com evidências do enorme descolamento entre as taxas de juros de curto e de longo prazo no Brasil, o texto abaixo reproduz matéria jornalística, publicada no início de agosto de 2020, dando conta da enorme incerteza futura associada aos impactos adversos decorrentes da crise pandêmica da Covid-19 sobre a economia brasileira.
Os juros futuros encerraram os negócios desta segunda-feira em alta firme, afetados por um movimento de maior incorporação de prêmio de risco ao longo da curva a termo, especialmente nos trechos mais longos (com vencimento no longo prazo). No fim da sessão regular, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 passava de 1,87% no ajuste anterior para 1,88%; a do DI para janeiro de 2022 ia de 2,65% para 2,67%; a do contrato para janeiro de 2023 subia de 3,76% para 3,79%; a do DI para janeiro de 2025 escalava de 5,40% para 5,47%; e a do contrato para janeiro de 2027 saltava de 6,35% para 6,43%.
REZENDE, V. Risco fiscal leva a alta das taxas de juros futuros e curva tem maior inclinação desde fim de junho. Valor Econômico, 10/08/2020. Disponível em: <https://valorinveste.globo.com/produtos/renda-fixa/noticia/2020/08/10/risco-fiscal-leva-a-alta-das-taxas-de-juros-futuro-e-curva-tem-maior-inclinacao-desde-fim-de-junho.ghtml>. Acesso em: 7 fev. 2021. Adaptado.
Para minorar os impactos da crise, a Emenda Constitucional nº 106, de 7 de maio de 2020, conhecida como o "Orçamento de Guerra", instituiu uma diversidade de medidas nos âmbitos fiscal, financeiro e de contratações para enfrentamento da calamidade pública nacional, decorrente da pandemia da Covid-19. Dentre as medidas aprovadas, o Banco Central do Brasil ficou autorizado, temporariamente, a operar com instrumentos de política monetária considerados não convencionais.
A medida de política monetária não convencional, por parte do Banco Central do Brasil, que poderia ter estimulado a redução das taxas de juros de longo prazo no ano passado é a
- Aredução da taxa de juros básica de curto prazo (Selic)
- Bvenda de títulos públicos e privados no mercado secundário
- Ccompra de títulos públicos e privados no mercado secundário (alternativa correta)
- Dredução do percentual dos depósitos compulsórios
- Evenda de títulos mediante operações compromissadas
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
O conceito-chave é o Quantitative Easing (QE), ou afrouxamento quantitativo: quando o Banco Central compra títulos no mercado secundário, ele injeta dinheiro na economia e aumenta a demanda por esses papéis, o que eleva seus preços e derruba suas taxas de juros (preço e taxa andam em direções opostas). No Brasil, a crise da Covid-19 gerou um "descolamento" entre a taxa básica (Selic, curto prazo) e as taxas longas, que subiram por medo de risco fiscal; a compra de títulos longos pelo BC atacaria exatamente esse problema.
- (A) Incorreta: Reduzir a Selic (taxa básica) é política convencional e atua diretamente só no curto prazo; ela não consegue, sozinha, derrubar as taxas longas quando há prêmio de risco fiscal alto.
- (B) Incorreta: Vender títulos no mercado secundário é o oposto do QE: isso retira dinheiro da economia, aumenta a oferta de títulos, derruba seus preços e eleva os juros longos — pioraria o problema descrito.
- (C) Correta: Comprar títulos públicos e privados no mercado secundário é o instrumento não convencional clássico (QE). Ao comprar, o BC aumenta a demanda, eleva o preço dos papéis e reduz as taxas de juros de longo prazo, estimulando a economia sem depender da Selic.
- (D) Incorreta: Reduzir depósitos compulsórios é uma medida de liquidez (libera recursos dos bancos para empréstimos), mas é convencional e não atua diretamente sobre a curva de juros longa, nem sobre o prêmio de risco.
- (E) Incorreta: Venda de títulos via operações compromissadas é um instrumento de controle da liquidez diária (enxugar sobras de recursos), usado na gestão da Selic; não é não convencional e, ao vender, o BC aumentaria as taxas, não as reduziria.
Armadilha da banca: a pegadinha está na letra B — muitos alunos confundem "vender" com "comprar" ou acham que vender títulos traria recursos e baixaria juros. Na verdade, vender títulos tira dinheiro do mercado e pressiona as taxas para cima. O QE é sempre compra de títulos, pois isso injeta moeda e derruba as taxas longas.
Fonte: CESGRANRIO BB 01/2021/001 Escriturário - Agente Comercial (Caderno Gabarito 1). Reproduzida para fins de estudo.