Questão nº 47
Questão de Medicina do Trabalho · CESGRANRIO BASA 01/2018 (nº 47)
De acordo com a Classificação Brasileira de Procedimentos em Fonoaudiologia, para a investigação de perdas auditivas de origem ocupacional, deve ser realizada, na audiometria tonal limiar, a pesquisa de limiares psicoacústicos para tons puros, por via aérea e via óssea, tanto no exame de referência quanto no sequencial.
As alterações nesses exames sequenciais, sugestivos de dano ocupacional relacionado ao ruído, são as que apontam
- Aalteração de até 13,5 dB (NA) dos limiares auditivos em uma ou mais das frequências de 3.000, 4.000 e 6.000 Hz.
- Bdiferença entre as médias aritméticas dos limiares auditivos nos grupos de frequências de 3.000, 4.000 e 6.000 Hz, igual ou maior do que 10 dB (NA). (alternativa correta)
- Cdistribuição linear da perda de 10 a 15 dB (NA) em todas as frequências do exame.
- Dperda mais significativa, igual ou maior do que 13,5 dB (NA), dos limiares auditivos, nos grupos de frequências de 500, 1.000 e 2.000 Hz.
- Eperda de maior intensidade, superior a 10 dB (NA), dos limiares auditivos de frequências superiores a 8.000 Hz.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
O conceito-chave é que a Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR) tem um padrão característico: ela ataca primeiro as frequências de 3.000, 4.000 e 6.000 Hz (a chamada "entalhe audiométrico"), e o critério de piora entre exames sequenciais é uma diferença de médias aritméticas dessas frequências, não uma variação pontual de um único limiar. A banca testa se você sabe que a comparação é feita por médias de grupos de frequências, e não por valores isolados.
- (A) Incorreta: A pegadinha está em "alteração de até 13,5 dB" — o valor de 13,5 dB é um critério de desvio de referência (usado para definir perda), mas a piora sequencial (dano progressivo) é definida pela diferença de médias ≥ 10 dB, não por um valor pontual de 13,5 dB em uma única frequência.
- (B) Correta: É o gabarito porque a Norma Técnica (e a Classificação Brasileira) define que a piora significativa entre exames é a diferença entre as médias aritméticas dos limiares de 3.000, 4.000 e 6.000 Hz, igual ou maior que 10 dB (NA) — isso indica dano coclear progressivo por ruído, mesmo que nenhuma frequência isolada tenha mudado muito.
- (C) Incorreta: A PAIR não é linear em todas as frequências; ela é descendente (pior nas altas frequências) e tem o entalhe em 4.000 Hz, então uma perda "linear" em todas as frequências sugere outra etiologia (ex.: presbiacusia ou ototoxicidade).
- (D) Incorreta: Frequências de 500, 1.000 e 2.000 Hz são as frequências da fala; a PAIR poupa essas frequências até fases avançadas. Um dano maior nelas indica outra causa (ex.: trauma acústico agudo, doença metabólica), não ruído ocupacional típico.
- (E) Incorreta: A audiometria convencional vai até 8.000 Hz; frequências acima de 8.000 Hz (ultra-altas) não fazem parte do protocolo de PAIR e não são usadas para critério de piora ocupacional — o dano por ruído é avaliado na faixa de 3.000 a 6.000 Hz.
Fonte: CESGRANRIO BASA 01/2018 Técnico Científico - Área de Formação: Medicina do Trabalho. Reproduzida para fins de estudo.