Questão nº 9
Questão de Língua Portuguesa · CEBRASPE TCU 25 AUFC 2025 (nº 9)
De acordo com o humanismo, as experiências ocorrem dentro de nós e devemos encontrar em nosso interior o sentido de tudo o que acontece, impregnando desse modo o universo de significado. Os dataístas acreditam que experiências não têm valor se não forem compartilhadas e que não precisamos — na verdade não podemos — encontrar significado em nosso interior. Só precisamos gravar e conectar nossa experiência ao grande fluxo de dados, e os algoritmos vão descobrir seu significado e nos dizer o que fazer.
À pergunta “o que faz os humanos serem superiores aos outros animais?” o dataísmo apresenta uma resposta inédita e simples. Em si mesmas, as experiências humanas não são superiores às dos lobos ou elefantes. Cada bit de dados é tão bom num caso como no outro. Contudo, um humano pode escrever um poema sobre sua experiência e postá-lo online, enriquecendo com isso o sistema global de processamento de dados. Isso confere valor aos seus bits. Um lobo não é capaz de fazer isso. Daí que todas as experiências do lobo — por mais profundas e complexas que possam ser — resultam inúteis. Não é de admirar que nos ocupemos tanto em converter nossas experiências em dados. Não é uma questão de tendência ou moda. É uma questão de sobrevivência. Temos de provar a nós mesmos e ao sistema que ainda temos valor. E o valor reside não em ter tido experiências, e sim em fazer delas um fluxo livre de dados.
Em relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue os seguintes itens.
Estariam mantidas as relações sintático-semânticas estabelecidas no último período do texto, bem como a coerência de suas ideias, caso se deslocasse, no trecho “E o valor reside não em ter tido experiências”, o vocábulo “não" para imediatamente depois da preposição “em”.
Resposta comentada
O que está em jogo é a posição do advérbio "não" e como ela altera o escopo da negação. No original, "não" nega o verbo "residir" (o valor não está em ter experiências). Se deslocarmos "não" para depois de "em", a negação passa a recair sobre o termo "ter tido experiências", criando uma leitura ilógica: o valor residiria em não ter experiências, o que contradiz todo o texto.
- Correta: Errado. O deslocamento muda o sentido, pois no original a negação incide sobre o verbo "residir" (excluindo a ação de "ter experiências"), e na nova posição ela incide sobre o complemento, afirmando que o valor está em "não ter tido experiências" — o oposto do que o texto defende.
Como ficaria certo: "E o valor reside não em ter tido experiências, e sim em fazer delas um fluxo livre de dados" (mantendo "não" antes de "em", como no original).
Fonte: CEBRASPE TCU 25 AUFC 2025 Auditor Federal de Controle Externo - Área de Controle Externo / Orientação: Auditoria de Tecnologia da Informação. Reproduzida para fins de estudo.