Questão nº 10

Questão de Língua Portuguesa · CEBRASPE TCU 25 AUFC 2025 (nº 10)

CEBRASPE2025Auditor Federal de Controle Externo - Área de Controle Externo / Orientação: Auditoria de Tecnologia da InformaçãoLíngua Portuguesa

De acordo com o humanismo, as experiências ocorrem dentro de nós e devemos encontrar em nosso interior o sentido de tudo o que acontece, impregnando desse modo o universo de significado. Os dataístas acreditam que experiências não têm valor se não forem compartilhadas e que não precisamos — na verdade não podemos — encontrar significado em nosso interior. Só precisamos gravar e conectar nossa experiência ao grande fluxo de dados, e os algoritmos vão descobrir seu significado e nos dizer o que fazer.

À pergunta “o que faz os humanos serem superiores aos outros animais?” o dataísmo apresenta uma resposta inédita e simples. Em si mesmas, as experiências humanas não são superiores às dos lobos ou elefantes. Cada bit de dados é tão bom num caso como no outro. Contudo, um humano pode escrever um poema sobre sua experiência e postá-lo online, enriquecendo com isso o sistema global de processamento de dados. Isso confere valor aos seus bits. Um lobo não é capaz de fazer isso. Daí que todas as experiências do lobo — por mais profundas e complexas que possam ser — resultam inúteis. Não é de admirar que nos ocupemos tanto em converter nossas experiências em dados. Não é uma questão de tendência ou moda. É uma questão de sobrevivência. Temos de provar a nós mesmos e ao sistema que ainda temos valor. E o valor reside não em ter tido experiências, e sim em fazer delas um fluxo livre de dados.

Em relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue os seguintes itens.


A oração que compõe o segundo período do segundo parágrafo classifica-se como subordinada adverbial comparativa.

Resposta comentada

Oração subordinada adverbial comparativa estabelece uma comparação entre dois elementos (ex.: "ele é mais rápido do que eu"). Para ser comparativa, precisa haver um termo de comparação explícito (como, que, do que, quanto) ligando duas ideias.

  • Correta: Errado. O segundo período do segundo parágrafo é "Em si mesmas, as experiências humanas não são superiores às dos lobos ou elefantes", e a oração "às dos lobos ou elefantes" é uma comparativa? Não — ela é uma oração subordinada adverbial comparativa? Não, pois o termo "superiores" exige comparação, mas a estrutura "não são superiores às" é uma comparação implícita, sem conjunção comparativa ("do que", "como"), funcionando como complemento nominal (regido por "superiores"), não como oração adverbial. A pegadinha está em trocar "comparativa" por "completiva nominal" (ou "comparativa reduzida", que não existe aqui).

Como ficaria certo: A oração que compõe o segundo período do segundo parágrafo classifica-se como subordinada substantiva completiva nominal (ou apenas "complemento nominal"), pois completa o sentido do adjetivo "superiores" sem conjunção comparativa.

Fonte: CEBRASPE TCU 25 AUFC 2025 Auditor Federal de Controle Externo - Área de Controle Externo / Orientação: Auditoria de Tecnologia da Informação. Reproduzida para fins de estudo.

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