Questão nº 11

Questão de Língua Portuguesa · CEBRASPE SEFAZ-RN 2025 - P1 Conhecimentos Gerais (nº 11)

CEBRASPE2025Auditor Fiscal de Receitas EstaduaisLíngua Portuguesa
Gabarito: Dver comentário ↓

Ainda há muito o que estudar sobre a árvore genealógica
das línguas de todo o continente americano. Como na África, a
linguística moderna chegou tarde a essa região e encontrou um
cenário marcado pela destruição, pelo desaparecimento não
documentado de uma quantidade de idiomas que mal conseguimos
avaliar. Os idiomas que se viram mais diretamente envolvidos no
processo de formação do português que viríamos a falar no Brasil
são os do grupo tupi, falados por nações como os caetés, potiguara,
tamoio, tupinambá, tupiniquim... Esses povos parecem ter iniciado
uma imigração a partir da Amazônia, no início da Era Comum, ou
seja, há mais de 2.000 anos. Por um lado, eles se expandiram para
o litoral norte, depois rumo ao nordeste e ao sudeste do Brasil; por
outro, desceram a região central rumo ao sul do país.
A presença mais ou menos uniforme de grupos tupis nas
costas do Brasil teria um papel fundamental na história linguística
do que um dia viria a ser essa imensa nação lusófona na América
do Sul. Numa região de vegetação fechada e rala densidade
populacional, o litoral era o fio condutor mais vigoroso de contatos
e aproximações. E como os povos que habitavam um trecho
gigantesco do litoral brasileiro eram relacionados, isso gerava um
tipo de uniformidade de hábitos, tradições e idioma, que
possibilitou que os portugueses os considerassem como "um
povo", falante de uma mesma língua, uma forma do tupi, que, ao
que parece, variava pouco entre um grupo e outro. Essa foi a língua
cuja gramática, afinal, seria descrita pelos jesuítas europeus — a
língua que estaria na base de uma das legítimas "línguas
brasileiras" que foram desenvolvidas aqui e que, séculos depois da
chegada dos portugueses, ainda representariam uma direta
concorrência para o sucesso do idioma de Portugal nessas plagas.


Sem prejuízo da correção gramatical e da coerência das ideias do texto CG1A2-I, a locução verbal "foram desenvolvidas" (último período do texto) poderia ser substituída por

Resposta comentada

Gabarito Alternativa D

Conceito-chave: A locução verbal "foram desenvolvidas" está na voz passiva analítica (ser + particípio) e indica um fato concluído no passado. Para substituí-la sem mudar o sentido, precisamos de um verbo na voz passiva sintética (verbo + "se") ou ativa, mas sempre no pretérito perfeito do indicativo (ação totalmente acabada).

  • (A) Incorreta: "se desenvolverão" está no futuro do presente, indicando ação que ainda vai acontecer, o que quebra a linha temporal do texto (que fala de séculos passados).
  • (B) Incorreta: "tinha desenvolvido" está no pretérito mais-que-perfeito composto, que expressa um passado anterior a outro passado, criando uma relação de anterioridade que não existe no original.
  • (C) Incorreta: "vinha desenvolvendo" está no pretérito imperfeito composto (ou gerúndio), indicando uma ação contínua e não concluída, o que contradiz o sentido de "foram desenvolvidas" (ação pontual e finalizada).
  • (D) Correta: "se desenvolveram" é a voz passiva sintética (verbo "desenvolver" + pronome apassivador "se") no pretérito perfeito do indicativo. Mantém exatamente o mesmo tempo, o mesmo aspecto (concluído) e o mesmo sentido passivo da original, pois o sujeito ("línguas brasileiras") continua sendo paciente da ação.
  • (E) Incorreta: "desenvolveu" está no singular, mas o sujeito é plural ("as línguas brasileiras"), o que causaria erro de concordância verbal. Além disso, está na voz ativa, mudando a estrutura sintática.

Fonte: CEBRASPE SEFAZ-RN 2025 - P1 Conhecimentos Gerais Auditor Fiscal de Receitas Estaduais. Reproduzida para fins de estudo.

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