Questão nº 10

Questão de Língua Portuguesa · CEBRASPE SEFAZ-RN 2025 - P1 Conhecimentos Gerais (nº 10)

CEBRASPE2025Auditor Fiscal de Receitas EstaduaisLíngua Portuguesa
Gabarito: Cver comentário ↓

Ainda há muito o que estudar sobre a árvore genealógica
das línguas de todo o continente americano. Como na África, a
linguística moderna chegou tarde a essa região e encontrou um
cenário marcado pela destruição, pelo desaparecimento não
documentado de uma quantidade de idiomas que mal conseguimos
avaliar. Os idiomas que se viram mais diretamente envolvidos no
processo de formação do português que viríamos a falar no Brasil
são os do grupo tupi, falados por nações como os caetés, potiguara,
tamoio, tupinambá, tupiniquim... Esses povos parecem ter iniciado
uma imigração a partir da Amazônia, no início da Era Comum, ou
seja, há mais de 2.000 anos. Por um lado, eles se expandiram para
o litoral norte, depois rumo ao nordeste e ao sudeste do Brasil; por
outro, desceram a região central rumo ao sul do país.
A presença mais ou menos uniforme de grupos tupis nas
costas do Brasil teria um papel fundamental na história linguística
do que um dia viria a ser essa imensa nação lusófona na América
do Sul. Numa região de vegetação fechada e rala densidade
populacional, o litoral era o fio condutor mais vigoroso de contatos
e aproximações. E como os povos que habitavam um trecho
gigantesco do litoral brasileiro eram relacionados, isso gerava um
tipo de uniformidade de hábitos, tradições e idioma, que
possibilitou que os portugueses os considerassem como "um
povo", falante de uma mesma língua, uma forma do tupi, que, ao
que parece, variava pouco entre um grupo e outro. Essa foi a língua
cuja gramática, afinal, seria descrita pelos jesuítas europeus — a
língua que estaria na base de uma das legítimas "línguas
brasileiras" que foram desenvolvidas aqui e que, séculos depois da
chegada dos portugueses, ainda representariam uma direta
concorrência para o sucesso do idioma de Portugal nessas plagas.


No terceiro período do primeiro parágrafo do texto CG1A2-I, as formas verbais "viram" e "viríamos"

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

Conceito-chave: A pegadinha aqui é confundir verbos parecidos na escrita, mas de origens diferentes. "Viram" vem do verbo ver (eles viram algo), enquanto "viríamos" vem do verbo vir (nós viríamos a falar). Repare: ver = enxergar; vir = deslocar-se/chegar. A terminação é igual, mas o radical e o sentido mudam tudo.

(A) Incorreta: "Viram" é transitiva direta (viram algo — os idiomas se viram envolvidos), e "viríamos" é verbo de ligação ou intransitivo, não sendo ambas transitivas indiretas.

(B) Incorreta: "Viram" está no pretérito perfeito do indicativo (ação concluída), mas "viríamos" está no futuro do pretérito do indicativo (fato condicionado ao passado), não no mais-que-perfeito.

(C) Correta: Exatamente: "viram" = 3ª pessoa do plural do pretérito perfeito de ver; "viríamos" = 1ª pessoa do plural do futuro do pretérito de vir. A banca testa se você reconhece a diferença entre esses dois verbos homógrafos na forma.

(D) Incorreta: Nenhuma das duas está no futuro do subjuntivo; "viram" é pretérito perfeito do indicativo, e "viríamos" é futuro do pretérito do indicativo.

(E) Incorreta: "Viram" concorda com "idiomas" (sujeito), mas "viríamos" concorda com o sujeito oculto "nós" (referente a "portugueses"), não com "idiomas". A concordância é diferente para cada verbo.

Fonte: CEBRASPE SEFAZ-RN 2025 - P1 Conhecimentos Gerais Auditor Fiscal de Receitas Estaduais. Reproduzida para fins de estudo.

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