Questão nº 9

Questão de Língua Portuguesa · CEBRASPE SEFAZ-RN 2025 - P1 Conhecimentos Gerais (nº 9)

CEBRASPE2025Auditor Fiscal de Receitas EstaduaisLíngua Portuguesa
Gabarito: Cver comentário ↓

Ainda há muito o que estudar sobre a árvore genealógica
das línguas de todo o continente americano. Como na África, a
linguística moderna chegou tarde a essa região e encontrou um
cenário marcado pela destruição, pelo desaparecimento não
documentado de uma quantidade de idiomas que mal conseguimos
avaliar. Os idiomas que se viram mais diretamente envolvidos no
processo de formação do português que viríamos a falar no Brasil
são os do grupo tupi, falados por nações como os caetés, potiguara,
tamoio, tupinambá, tupiniquim... Esses povos parecem ter iniciado
uma imigração a partir da Amazônia, no início da Era Comum, ou
seja, há mais de 2.000 anos. Por um lado, eles se expandiram para
o litoral norte, depois rumo ao nordeste e ao sudeste do Brasil; por
outro, desceram a região central rumo ao sul do país.
A presença mais ou menos uniforme de grupos tupis nas
costas do Brasil teria um papel fundamental na história linguística
do que um dia viria a ser essa imensa nação lusófona na América
do Sul. Numa região de vegetação fechada e rala densidade
populacional, o litoral era o fio condutor mais vigoroso de contatos
e aproximações. E como os povos que habitavam um trecho
gigantesco do litoral brasileiro eram relacionados, isso gerava um
tipo de uniformidade de hábitos, tradições e idioma, que
possibilitou que os portugueses os considerassem como "um
povo", falante de uma mesma língua, uma forma do tupi, que, ao
que parece, variava pouco entre um grupo e outro. Essa foi a língua
cuja gramática, afinal, seria descrita pelos jesuítas europeus — a
língua que estaria na base de uma das legítimas "línguas
brasileiras" que foram desenvolvidas aqui e que, séculos depois da
chegada dos portugueses, ainda representariam uma direta
concorrência para o sucesso do idioma de Portugal nessas plagas.


Entende-se do texto CG1A2-I que

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

Conceito-chave: O texto afirma que os idiomas do grupo tupi eram falados por várias nações indígenas (caetés, potiguara, tamoio, tupinambá, tupiniquim) e que essa diversidade de povos compartilhava uma língua comum, que viria a influenciar o português do Brasil. A questão testa se você consegue distinguir o que o texto diz literalmente (fato sobre o grupo tupi) do que ele não diz (como a origem do português ou a existência de registros).

  • (A) Incorreta: O texto diz que houve "desaparecimento não documentado" de muitos idiomas, mas isso não significa que inexistem registros de todos eles; além disso, ele menciona a descrição da gramática do tupi pelos jesuítas, o que prova que havia algum registro.
  • (B) Incorreta: O texto afirma que o português falado no Brasil foi influenciado pelo tupi, mas não que ele "pertence" ao grupo tupi — o português é uma língua românica (derivada do latim), não uma língua tupi.
  • (C) Correta: O texto lista explicitamente "caetés, potiguara, tamoio, tupinambá, tupiniquim" como "nações" que falavam "idiomas do grupo tupi", confirmando que o grupo tupi abarca (inclui) esses idiomas.
  • (D) Incorreta: O texto diz que os jesuítas descreveram a gramática da língua tupi (falada pelos indígenas), não a gramática do português falado no litoral.
  • (E) Incorreta: O texto não afirma que não existem mais idiomas originários; ele fala de desaparecimento histórico e não documentado, mas não diz que todos sumiram atualmente.

Armadilha da banca (no distrator B): A pegadinha está em confundir influência com origem. O texto diz que o tupi "estaria na base" de línguas brasileiras e que influenciou o português, mas isso não torna o português um idioma do grupo tupi. A banca quer ver se você lê com precisão: "pertencer ao grupo tupi" é diferente de "ter recebido influência do tupi".

Fonte: CEBRASPE SEFAZ-RN 2025 - P1 Conhecimentos Gerais Auditor Fiscal de Receitas Estaduais. Reproduzida para fins de estudo.

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