Questão nº 9

Questão de Língua Portuguesa · CEBRASPE Câmara dos Deputados 2025 - NS (nº 9)

CEBRASPE2025ComumLíngua Portuguesa

Linguagem Simples é o nome dado no Brasil a um conjunto de técnicas de redação e de design da informação usadas para produzir textos claros para o público-alvo das comunicações oficiais.

Quando falamos em “público-alvo”, estamos tratando especificamente da parcela da população a quem a informação se destina. Uma pessoa pode, por exemplo, redigir um texto para um site de câmara municipal com o objetivo de que seja compreendido por cidadãos com ensino médio completo; um folheto sobre malária para uma população ribeirinha de baixa escolaridade; ou, ainda, um estudo legislativo para embasar o trabalho de um deputado. Em qualquer dessas situações, tanto o público como a instituição vão se beneficiar do uso da Linguagem Simples.

Embora no Brasil o termo “Linguagem Simples” tenha prevalecido, o mote da técnica não é exatamente “quanto mais simples, melhor”, mas “quanto mais claro, melhor”. Tendo-se em mente que a clareza, e não a simplicidade, é a meta última da técnica, é possível e desejável usá-la até mesmo para redigir um texto técnico para o público especialista em determinado assunto. Em casos como esse, trocar palavras difíceis por outras mais fáceis não será a primeira preocupação.

A Linguagem Simples vai muito além da escolha de palavras. A técnica engloba diretrizes relacionadas à arquitetura da informação, à estrutura das frases e ao design, com o objetivo de reduzir o tempo e a dificuldade para o cérebro processar informações.

Com base nas ideias e nos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue os itens seguintes.


Visto que, no primeiro período do terceiro parágrafo, a locução verbal “tenha prevalecido” corresponde ao tempo pretérito, conclui-se que o verbo da oração principal do período está empregado no presente histórico, em obediência ao paralelismo temporal.

Resposta comentada

Correlação de tempos verbais é a "combinação" entre o tempo de uma oração e o da outra: se uma aponta para o passado, a outra costuma acompanhar. Mas isso não é uma regra fixa — cada verbo pode ter seu próprio tempo, desde que o sentido faça coerência. Aqui, "tenha prevalecido" está no pretérito perfeito composto do subjuntivo (ação passada, ligada a um "embora"), e o verbo da oração principal ("é") está no presente, o que é perfeitamente normal: o "embora" já cria a ideia de concessão, sem exigir que a principal vá para o passado.

  • Correta: Errado. O item erra ao afirmar que o presente de "é" é "presente histórico" — o presente histórico é usado para narrar fatos passados como se fossem atuais (ex.: "Em 1500, Cabral chega ao Brasil"). Aqui não há narração de fato passado: o presente apenas enuncia uma verdade geral ("o mote não é exatamente..."), e o "embora" já justifica a mistura de tempos, sem precisar de "paralelismo temporal".

Como ficaria certo: "Embora 'tenha prevalecido' esteja no pretérito, o verbo da oração principal está no presente por se tratar de uma verdade geral/atual, e não de presente histórico — a correlação é livre, pois o 'embora' já marca a concessão."

Fonte: CEBRASPE Câmara dos Deputados 2025 - NS Conhecimentos Comuns. Reproduzida para fins de estudo.

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