Questão nº 13

Questão de Língua Portuguesa · FGV TJAL 2018 (nº 13)

FGV2018Técnico Judiciário - Área JudiciáriaLíngua Portuguesa
Gabarito: Ever comentário ↓

TEXTO - Ressentimento e Covardia

Tenho comentado aqui na Folha em diversas crônicas, os usos da internet, que se ressente ainda da falta de uma legislação específica que coíba não somente os usos mas os abusos deste importante e eficaz veículo de comunicação. A maioria dos abusos, se praticados em outros meios, seriam crimes já especificados em lei, como a da imprensa, que pune injúrias, difamações e calúnias, bem como a violação dos direitos autorais, os plágios e outros recursos de apropriação indébita.

No fundo, é um problema técnico que os avanços da informática mais cedo ou mais tarde colocarão à disposição dos usuários e das autoridades. Como digo repetidas vezes, me valendo do óbvio, a comunicação virtual está em sua pré-história.

Atualmente, apesar dos abusos e crimes cometidos na internet, no que diz respeito aos cronistas, articulistas e escritores em geral, os mais comuns são os textos atribuídos ou deformados que circulam por aí e que não podem ser desmentidos ou esclarecidos caso por caso. Um jornal ou revista é processado se publicar sem autorização do autor um texto qualquer, ainda que em citação longa e sem aspas. Em caso de injúria, calúnia ou difamação, também. E em caso de falsear a verdade propositadamente, é obrigado pela justiça a desmentir e dar espaço ao contraditório.

Nada disso, por ora, acontece na internet. Prevalece a lei do cão em nome da liberdade de expressão, que é mais expressão de ressentidos e covardes do que de liberdade, da verdadeira liberdade.

(Carlos Heitor Cony, Folha de São Paulo, 16/05/2006 – adaptado)


Ao afirmar que, na internet, prevalece a lei do cão, o cronista quer dizer que na internet:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

Conceito-chave: A expressão “lei do cão” é uma metáfora que significa “lei do mais forte”, ou seja, a ideia de que, na internet, quem tem mais poder, agressividade ou anonimato “vence” e impõe sua vontade, sem regras ou proteção para o mais fraco. Não se refere a violência física, nem a punição, mas sim a uma ausência de regras justas que favorece o abuso de poder.

(A) Incorreta: A expressão “lei do cão” não fala de violência física ou gratuita, mas de uma lógica de poder e dominação, onde o mais forte (ou mais agressivo) se impõe sobre o mais fraco.

(B) Incorreta: Embora a impunidade seja uma consequência da falta de regras, a metáfora “lei do cão” se concentra na ação do mais forte, e não na ausência de punição. A impunidade é um efeito, não a ideia central da expressão.

(C) Incorreta: A questão da comprovação de fatos não é o foco da expressão. “Lei do cão” remete à força e à imposição, não à veracidade ou à necessidade de provas.

(D) Incorreta: A alternativa inverte totalmente o sentido: a “lei do cão” sugere que nada é punido, e não que os erros são punidos de imediato. Essa é a armadilha da banca, pois parece lógica, mas contradiz o texto.

(E) Correta: O cronista usa “lei do cão” para dizer que, na internet, impera a lei do mais forte, ou seja, vale a imposição de quem tem mais poder, agressividade ou anonimato, em vez de regras justas e protetoras, como ocorre em outros meios de comunicação.

Fonte: FGV TJAL 2018 Técnico Judiciário - Área Judiciária (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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