Questão nº 19

Questão de Língua Portuguesa · FGV TJ-SE Servidor 2023 (nº 19)

FGV2023Comum TécnicoLíngua Portuguesa
Gabarito: Dver comentário ↓

Texto 2 – Por que a pontuação nos jogos de tênis segue a ordem 15, 30 e 40? (adaptado)

Uma dica: tem a ver com o jeu de paume*, ancestral do tênis atual.*

Por Maria Clara Rossini

A hipótese mais provável tem a ver com o jogo de palma (jeu de paume), modalidade francesa da qual o tênis é descendente. A principal diferença entre os dois é que, em vez da raquete, antigamente os jogadores usavam a mão mesmo para rebater a bola. Cada jogador ficava a 60 pés (18 metros) da rede.

Os pontos eram contados de um em um. A cada vez que um jogador marcava, ele deveria se aproximar 15 pés da rede. Depois, mais 15 pés (ficando a 30 pés do início da quadra). É de se esperar que no terceiro ponto o jogador se aproximasse mais 15 pés – só que essa posição ficava muito próxima da rede, o que aniquilaria o desempenho do participante. O jogador, então, tinha de se aproximar só mais 10 pés, totalizando 40 de distância da sua posição inicial em vez de 45.

Acontece que também existem registros de jogos de tênis que seguiam a ordem "15, 30 e 45". Um poema escrito no século 15, por exemplo, narra uma partida de tênis entre o rei Henrique 5º, da Inglaterra e um nobre francês – e utiliza o 45 na contagem. O mesmo ocorre em uma poesia escrita pelo duque Charles de Orleães, da mesma época.

Esse tipo de registro coloca uma dúvida na cabeça dos historiadores do esporte. Uma hipótese que justificaria o "45" é o uso de relógios como ferramenta de marcar a pontuação do jogo. Cada quarto de hora representaria um ponto, e quem conseguisse dar a volta primeiro ganhava. Apesar de fazer algum sentido, não há evidências do uso de relógios para esse fim. É provável que muitos passaram a usar o 45 simplesmente por ser uma progressão mais natural, com intervalos uniformes.

Mesmo assim foi o 15, 30, 40 que vingou. O jeu de paume agradece.


"Uma hipótese que justificaria o '45' é o uso de relógios como ferramenta de marcar a pontuação do jogo." (Texto 2, 4º parágrafo)
A alternativa em que a conversão da oração sublinhada para a voz passiva preserva o significado original e NÃO acarreta desvio em relação à norma padrão é:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa D

Voz verbal indica se o sujeito pratica (voz ativa) ou sofre (voz passiva) a ação do verbo. Para converter da voz ativa para a passiva, o objeto direto da ativa vira sujeito da passiva, e o verbo ativo se transforma em uma locução verbal (verbo "ser" + particípio do verbo principal). O sujeito da ativa, se mantido, vira o agente da passiva, introduzido por preposição.

Análise da oração original: "que justificaria o '45'"

  • Sujeito: "que" (pronome relativo que retoma "hipótese")
  • Verbo: "justificaria" (futuro do pretérito do indicativo)
  • Objeto Direto: "o '45'"
  • Voz: Ativa (a hipótese justificaria o '45').

Para a voz passiva, "o '45'" se torna o sujeito, e "justificaria" vira "seria justificado". O "que" (a hipótese) se torna o agente da passiva, introduzido por preposição e o pronome relativo correspondente.

D) Correta:
Uma hipótese por meio da qual o "45" seria justificado é o uso de relógios como ferramenta de marcar a pontuação do jogo.
A alternativa utiliza a construção "por meio da qual", que expressa corretamente o agente da passiva (a hipótese) e o meio pelo qual a ação de justificar é realizada, mantendo o sentido original. O verbo "seria justificado" está na voz passiva analítica e no mesmo tempo verbal (futuro do pretérito), preservando a condição hipotética da oração original.

A) Incorreta:
Uma hipótese que o "45" seria justificado é o uso de relógios como ferramenta de marcar a pontuação do jogo;
A construção "que o '45' seria justificado" altera a função do "que". Na frase original, "que" é sujeito de "justificaria". Aqui, "que" atua como conjunção integrante, introduzindo uma oração substantiva, e não como pronome relativo que representa o agente da passiva, o que descaracteriza a relação entre "hipótese" e a justificação.

B) Incorreta:
Uma hipótese para a qual o "45" seria justificado é o uso de relógios como ferramenta de marcar a pontuação do jogo;
A preposição "para" em "para a qual" indica finalidade ou destino, e não o agente ou o meio da ação de justificar. A hipótese não é o propósito para o qual o '45' seria justificado, mas sim o elemento que o justificaria.

C) Incorreta:
Uma hipótese por que será justificado o "45" é o uso de relógios como ferramenta de marcar a pontuação do jogo;
O tempo verbal "será justificado" (futuro do presente) não corresponde ao "justificaria" (futuro do pretérito) da oração original, que expressa uma hipótese ou condição. A mudança de tempo verbal altera o sentido da frase, de uma possibilidade hipotética para uma previsão.

E) Incorreta:
Uma hipótese para a qual justificar-se-ia o "45" é o uso de relógios como ferramenta de marcar a pontuação do jogo.
Novamente, "para a qual" indica finalidade, não o agente ou meio. Além disso, a voz passiva sintética "justificar-se-ia" não representa adequadamente a "hipótese" como agente da ação, e a construção com "para a qual" não estabelece a correta relação gramatical e semântica com o restante da frase.

Fonte: FGV TJ-SE Servidor 2023 Conhecimentos Comuns (Técnico) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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