Questão nº 18
Questão de Língua Portuguesa · FGV TJ-SE Servidor 2023 (nº 18)
Texto 2 – Por que a pontuação nos jogos de tênis segue a ordem 15, 30 e 40? (adaptado)
Uma dica: tem a ver com o jeu de paume*, ancestral do tênis atual.*
Por Maria Clara Rossini
A hipótese mais provável tem a ver com o jogo de palma (jeu de paume), modalidade francesa da qual o tênis é descendente. A principal diferença entre os dois é que, em vez da raquete, antigamente os jogadores usavam a mão mesmo para rebater a bola. Cada jogador ficava a 60 pés (18 metros) da rede.
Os pontos eram contados de um em um. A cada vez que um jogador marcava, ele deveria se aproximar 15 pés da rede. Depois, mais 15 pés (ficando a 30 pés do início da quadra). É de se esperar que no terceiro ponto o jogador se aproximasse mais 15 pés – só que essa posição ficava muito próxima da rede, o que aniquilaria o desempenho do participante. O jogador, então, tinha de se aproximar só mais 10 pés, totalizando 40 de distância da sua posição inicial em vez de 45.
Acontece que também existem registros de jogos de tênis que seguiam a ordem "15, 30 e 45". Um poema escrito no século 15, por exemplo, narra uma partida de tênis entre o rei Henrique 5º, da Inglaterra e um nobre francês – e utiliza o 45 na contagem. O mesmo ocorre em uma poesia escrita pelo duque Charles de Orleães, da mesma época.
Esse tipo de registro coloca uma dúvida na cabeça dos historiadores do esporte. Uma hipótese que justificaria o "45" é o uso de relógios como ferramenta de marcar a pontuação do jogo. Cada quarto de hora representaria um ponto, e quem conseguisse dar a volta primeiro ganhava. Apesar de fazer algum sentido, não há evidências do uso de relógios para esse fim. É provável que muitos passaram a usar o 45 simplesmente por ser uma progressão mais natural, com intervalos uniformes.
Mesmo assim foi o 15, 30, 40 que vingou. O jeu de paume agradece.
"É de se esperar que no terceiro ponto o jogador se aproximasse mais 15 pés [...]" (Texto 2, 2º parágrafo)
De acordo com o princípio da correlação verbal, dois verbos ligados por uma relação de subordinação devem estar em harmonia no que tange aos seus tempos e modos. Na passagem acima, porém, esse princípio é violado.
Considerando-se o contexto mais amplo em que a passagem se insere, a única alternativa em que essa violação é corrigida SEM gerar incoerência textual é:
- AÉ de se esperar que no terceiro ponto o jogador se aproxime mais 15 pés;
- BSeria de se esperar que no terceiro ponto o jogador se aproximasse mais 15 pés; (alternativa correta)
- CEra de se esperar que no terceiro ponto o jogador se aproxime mais 15 pés;
- DEra de se esperar que no terceiro ponto o jogador se aproximará mais 15 pés;
- EÉ de se esperar que no terceiro ponto o jogador tivesse se aproximado mais 15 pés.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
A correlação verbal é a concordância lógica e gramatical entre os tempos e modos dos verbos em diferentes orações de um mesmo período, especialmente entre a oração principal e a subordinada. Ela garante que a sequência de ações ou estados seja coerente.
- (A) Incorreta: Embora "É de se esperar que... se aproxime" seja uma correlação gramaticalmente possível (presente do indicativo + presente do subjuntivo), ela altera o sentido original. O texto descreve uma expectativa hipotética que não se concretizou ("só que essa posição ficava muito próxima"). A forma "se aproxime" sugere uma expectativa presente e real, não a hipótese que o texto explora.
- (B) Correta: A alternativa "Seria de se esperar que no terceiro ponto o jogador se aproximasse mais 15 pés" estabelece uma correlação perfeita. O futuro do pretérito do indicativo ("Seria de se esperar") na oração principal combina com o pretérito imperfeito do subjuntivo ("se aproximasse") na oração subordinada, ambos expressando uma ideia de hipótese, condição ou irrealidade. Isso mantém a nuance de que "seria esperado" que ele se aproximasse, mas isso não ocorreu por um motivo prático, o que se alinha perfeitamente com o contexto do texto.
- (C) Incorreta: A correlação "Era de se esperar que... se aproxime" (pretérito imperfeito do indicativo + presente do subjuntivo) é inadequada. Se a expectativa era no passado ("Era de se esperar"), a ação esperada também deveria estar no passado do subjuntivo ("se aproximasse").
- (D) Incorreta: A correlação "Era de se esperar que... se aproximará" (pretérito imperfeito do indicativo + futuro do presente do indicativo) é gramaticalmente incorreta e incoerente com o sentido de uma expectativa hipotética.
- (E) Incorreta: A correlação "É de se esperar que... tivesse se aproximado" (presente do indicativo + pretérito mais-que-perfeito composto do subjuntivo) indica uma expectativa presente sobre algo que deveria ter acontecido no passado, mas não aconteceu. Embora gramaticalmente possível, muda o foco da frase, que é sobre uma sequência hipotética de ações no contexto de uma regra, e não sobre uma ação passada não realizada.
Fonte: FGV TJ-SE Servidor 2023 Conhecimentos Comuns (Técnico) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.