Questão nº 15

Questão de Língua Portuguesa · FGV TJ-RS 2019 (nº 15)

FGV2019Oficial de Justiça, Classe OLíngua Portuguesa
Gabarito: Dver comentário ↓

Um candidato a prefeito, questionado sobre a legalização do aborto, explicou: "Sou contra a legalização do aborto. A Constituição já prevê os casos de aborto permitido. Como vou defender essa legalização numa cidade em que as pessoas morrem de meningite, morrem de tuberculose? A cidade tem de tratar da vida primeiro, para depois tratar desse tipo de problema".
Nesse caso, o candidato adotou a seguinte estratégia:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa D

A estratégia argumentativa é o método ou técnica utilizada para defender um ponto de vista ou persuadir um público.

  • (A) Incorreta: A generalização excessiva ocorre quando se tira uma conclusão ampla a partir de poucas evidências ou casos específicos. O candidato não está generalizando, mas sim desviando o foco da discussão.
  • (B) Incorreta: O argumento autoritário (ou ad verecundiam) apela a uma autoridade (especialista, lei, tradição) para validar uma afirmação. O candidato expressa sua opinião e prioridades, não citando uma autoridade para fundamentar sua postura.
  • (C) Incorreta: O círculo vicioso (ou petição de princípio) é uma falácia em que a conclusão já está pressuposta nas premissas. O argumento do candidato não se estrutura dessa forma, ele não usa a conclusão para provar a si mesma.
  • (D) Correta: A fuga do assunto (ou red herring) é uma estratégia em que o argumentador desvia a atenção do tema central para um tópico diferente e irrelevante, a fim de evitar responder diretamente à questão original. O candidato foi questionado sobre a legalização do aborto e, em vez de discutir os méritos ou deméritos da legalização, introduziu a questão das mortes por meningite e tuberculose, afirmando que a cidade deve "tratar da vida primeiro", desviando o foco da discussão sobre a legalização para uma questão de prioridade de saúde pública mais ampla e, naquele contexto, tangencial.
  • (E) Incorreta: A relação equivocada entre causa e efeito (ou post hoc ergo propter hoc) assume que, se um evento segue outro, o primeiro causou o segundo, ou estabelece uma conexão causal sem prova. O candidato não estabelece uma relação de causa e efeito entre a legalização do aborto e as mortes por outras doenças; ele apenas as usa como um argumento para mudar a prioridade da discussão. A armadilha aqui é confundir a priorização de problemas com uma relação causal. Ele não diz que legalizar o aborto causaria mais mortes por meningite, mas sim que essas mortes são mais urgentes do que discutir a legalização do aborto.

Fonte: FGV TJ-RS 2019 Oficial de Justiça, Classe O (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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