Questão nº 18
Questão de Língua Portuguesa · FGV TCE-TO 2022 (nº 18)
Texto 2
A nova era do divórcio (fragmento)"'Novelas da Globo aumentam o número de divórcios no Brasil.' Parece fake news de haters, mas não. Trata-se de um dado histórico. A conclusão é de um estudo de 2009, feito pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A pesquisa fez um cruzamento entre informações de censos das décadas de 1970, 1980 e 1990 e dados sobre a expansão do sinal da Globo no país. Segundo os autores do estudo, o número de mulheres que se separaram aumentou conforme a teledramaturgia da emissora foi chegando a mais cidades.
'A exposição a estilos de vida modernos mostrados na TV, a funções desempenhadas por mulheres emancipadas e a uma crítica aos valores tradicionais mostrou estar associada aos aumentos nas frações de mulheres separadas e divorciadas nas áreas municipais brasileiras', diz a pesquisa. [...]
O que os estudiosos do BID não poderiam prever é o quanto os divórcios aumentariam no Brasil do século 21, por um motivo ainda mais insuspeito: a disseminação de um vírus.
Segundo o Colégio Notarial do Brasil, que congrega os tabeliães de notas e protestos, no primeiro ano da pandemia, em 2020, houve um aumento de 15% no número de divórcios em comparação com o ano anterior. Em 2021, então, o número de casais que oficializaram a separação bateu recorde: 80.573 divórcios consensuais, o maior da série histórica, que é registrada desde 2007.
[...] Sim, o início desnorteante da pandemia foi o gatilho para um boom de divórcios planeta afora. Motivos para a escalada nas tensões entre casais não faltaram, você sabe: o encarceramento no lar de ambos os cônjuges (condição que se estendeu indefinidamente para quem aderiu ao home office), perrengues financeiros, a necessidade de lidar com as crianças estudando em casa, distúrbios psicológicos (ansiedade, depressão, paranoia…).
[...] A [empresa americana] Legal Templates mostrou que os casados há menos de cinco anos foram os que mais se separaram em 2020: 58%. Aliás, quanto menor o tempo de união oficial, maior o aumento no índice de cada um para o seu lado. Enquanto, em 2019, pré-Covid, apenas 11% dos que se separaram tinham menos de cinco meses sob o mesmo teto, em 2020 essa porcentagem quase dobrou: foi para 20%.
Estudiosos que analisaram esses dados chegaram a uma conclusão que faz sentido: casais que haviam se unido havia pouco tempo são menos calejados para enfrentar o maremoto que atingiu a praia conjugal na onda do vírus. Os parceiros mais longevos já tinham passado por outras crises. Talvez ilesos, talvez feridos. E muitos aprenderam a sair delas juntos.
[...] Nesta nova era do divórcio, vale um alerta: mesmo nas separações mais amigáveis – e até afetuosas –, romper um relacionamento de anos segue sendo tão difícil quanto sempre foi. Os primeiros tempos tendem a ser um período deprimente, de luto mesmo, acordos difíceis e de pisar em ovos. Se você se separou, vale a pena um esforço a mais para manter o bom convívio. Não apenas pelo bem dos filhos – se o casamento produziu crianças. É importante honrar uma história que, em boa parte do tempo, foi partilhada com a pessoa que um dia você amou como se fosse a única."
Disponível em: https://super.abril.com.br/comportamento/a-nova-era-do-divorcio. Acesso em: 24/07/2022
Embora tanto o texto 1 quanto o texto 2 pertençam ao gênero textual reportagem, o segundo exibe uma linguagem mais informal que o primeiro.
Essa maior informalidade é evidenciada pela presença, no texto 2, de:
- Aestrangeirismos recentes e marcas de interlocução direta; (alternativa correta)
- Borações subordinadas adjetivas e discurso indireto livre;
- Cgírias associadas à fala jovem e paralelismos sintáticos;
- Dfrases nominais e abreviações;
- Eregionalismos e verbos impessoais.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
A informalidade na linguagem se refere ao uso de expressões, estruturas e vocabulário que são mais comuns na fala do dia a dia, em contextos descontraídos, e menos frequentes em textos formais ou acadêmicos.
- (A) Correta: A presença de estrangeirismos recentes como "fake news", "haters", "boom" e "home office", que ainda não estão totalmente assimilados ou são de uso mais coloquial, e as marcas de interlocução direta com o leitor, como "você sabe" e "Se você se separou", aproximam o texto do leitor, conferindo-lhe um tom mais conversacional e informal.
- (B) Incorreta: Orações subordinadas adjetivas são estruturas gramaticais comuns em textos de diversos níveis de formalidade e não são, por si só, uma marca de informalidade. O discurso indireto livre é uma técnica narrativa que, embora possa aparecer em textos informais, não é o principal elemento que evidencia a informalidade neste texto específico, nem é uma marca exclusiva dela. A armadilha aqui é que o discurso indireto livre pode, em alguns contextos, contribuir para um tom mais coloquial, mas sua presença não é o fator determinante da informalidade geral do texto, e as orações adjetivas são neutras em relação à formalidade.
- (C) Incorreta: Embora o termo "perrengues" possa ser considerado uma gíria ou expressão coloquial, o texto não está repleto de gírias associadas especificamente à fala jovem. Paralelismos sintáticos são recursos estilísticos que podem ocorrer em qualquer tipo de texto, formal ou informal, e não são uma marca de informalidade.
- (D) Incorreta: O texto não se caracteriza pelo uso predominante de frases nominais (frases sem verbo) e não apresenta abreviações típicas da linguagem informal escrita (como "vc" para "você").
- (E) Incorreta: Não há regionalismos evidentes no texto. Verbos impessoais, como "haver" no sentido de existir, são parte da norma culta da língua portuguesa e seu uso não indica informalidade.
Fonte: FGV TCE-TO 2022 Conhecimentos Comuns (TCE-TO - Analista Técnico) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.